Pais de pessoas com deficiência protestam contra falta de atendimento da Unimed Curitiba

Simone Giacometti


Pais de filhos com deficiênciafizeram um protesto em frente a Unimed Curitiba, nesta terça-feira (23), contra o atendimento prestado pelo plano de saúde. O grupo usou camisetas com a frase “Inclusão é olhar com amor todas as peças” e levou faixas e cartazes convidando quem passava a se manifestar a favor da causa. O buzinaço foi pacífico e aconteceu na esquina das ruas Itupava e José de Alencar, com acompanhamento da policia militar.

Adriana Czelusniak é mãe do Gabriel, de 14 anos, que tem autismo. Segundo ela, Curitiba tem hoje 20.000 pessoas com  o transtorno do Espectro Autista (TEA) e cerca de 200 famílias estão organizadas em um movimento pela melhoria no atendimento prestado pelos planos de saúde, exigindo via medidas judiciais o cumprimento da lei que prevê o tratamento com uma equipe multidisciplinar. Crianças com o distúrbio necessitam de terapias com profissionais altamente capacitados, com formação específica. “A Unimed não está fornecendo a certificação dos profissionais que atendem nas novas clínicas credenciadas. Estagiários têm atendido nossos filhos, sem nenhum tipo de preparo. Nós não estamos recebendo as devolutivas do tratamento, que são importantes para sabermos se está havendo evolução, nem recebendo os pareceres que devem ser encaminhados às escolas para que nossos filhos sejam orientados com mais assertividade”, explica ela.

“Nem mesmo os pais que entraram na justiça e ganharam o direito de manter o vínculo terapêutico, essencial para casos como autismo e paralisia cerebral, estão sendo atendidos. Nós estamos tendo que ir de lá para cá, em lugares onde há pessoas despreparadas”, denuncia Adriana.

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A pesquisadora Patrícia Sarruf distribuiu panfletos durante a manifestação.  O filho dela tem 2 anos e foi diagnosticado com paralisia cerebral. Por conta disso, ela enfrenta uma rotina que inclui fisioterapia bobath, CME, terapia ocupacional, integração sensorial, fonoaudiologia, estimulação visual e psicomotricidade aquática. “Desde que meu filho nasceu travo uma batalha para conseguir que o plano de saúde cumpra o que está na lei. Já entramos na justiça para garantir as terapias especiais que ele necessita, mas nem assim, temos sido atendidos. Por último agora, a Unimed credenciou novas clínicas onde estou sendo atendida por estagiários. Esses lugares ficam muito distantes, não temos opção de escolha e estão sempre superlotados. Não dão conta de atender a demanda”, desabafa ela.

Adriana protestou contra a troca constante de profissionais e atendimento feito por estagiários

” As determinações judiciais tem sido ignoradas, o que nos faz ficar correndo de um lado para outro. Meu filho chorou durante 1 ano, por causa de todas essas mudanças de profissionais. Quando se acostumava, tínhamos que trocar.  Estamos pagando para sermos atendidos e não há a mínima consideração com as famílias”, diz ela.

Por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Unimed Curitiba informou que “foi a primeira operadora de planos privados de assistência à saúde do Brasil a autorizar os atendimentos de terapias especiais para as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e paralisia cerebral, oferecendo aos seus clientes muito mais do que é exigido pela legislação que regula a sua atividade”.

De acordo com a prestadora de serviço, “de maneira alguma, foi interrompida a prestação da assistência à saúde aos clientes. Após diálogo com as famílias, a Unimed Curitiba prorrogou para até 180 dias a migração para a rede credenciada, sendo que, após avaliação médica com apoio do médico assistente dos clientes, será instituído cronograma individualizado para que isso se concretize”.

A empresa também se comprometeu a dialogar com as famílias. “A partir deste mês, será instituído um grupo de pais de clientes com autismo e paralisia cerebral com o propósito de estreitar a relação com eles, vital para a obtenção do sucesso que tanto eles quanto a Unimed Curitiba almejam”.

Durante o ato foram coletadas assinaturas para o abaixo-assinado que será encaminhado ao Ministério Público do Paraná solicitando que a empresa seja convocada para prestar esclarecimentos sobre as mudanças feitas.   Além de manter grupos de pais via aplicativo WhatsApp, as famílias atualizam as informações em um perfil no Instagram. O grupo também criou um site onde é possível preencher um formulário e fazer denúncias.

 

 

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