Famílias de jovens que participaram de ataque em colégio de Medianeira devem receber apoio psicológico

Juliana Goss - BandNews FM Curitiba


As famílias dos jovens que participaram do ataque ao colégio estadual em Medianeira devem passar por acompanhamento psicológico. Quase dois meses depois do ato, os dois adolescentes seguem internados no Centro de Socioeducação de Foz do Iguaçu, no oeste do Estado. Ambos cumprem medida socioeducativa por tentativa de homicídio e resistência à prisão. O atirador também foi condenado por ter o porte ilegal de arma de fogo.

No último dia 28 de setembro, o adolescente de 15 anos invadiu a sala de aula e fez pelo menos seis disparos contra os colegas no Colégio Estadual João Manoel Mondrone. O jovem teve a cobertura de outro adolescente de 15 anos. Em entrevista à BandNews Curitiba, a promotora da 2ª Promotoria de Justiça de Medianeira, Ana Cláudia Bergo Batuli, explica que o internamento deve seguir o prazo máximo estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente de 3 anos. A intenção é reinserir novamente os menores na sociedade.

“Eles são submetidos a análises por equipes multidisciplinares. Não só os adolescentes, mas a família deles também. Porque o objetivo é que nenhum adolescente fique internado por muito tempo, o objetivo é que ele seja reinseridos tanto na sociedade quanto na família”, explicou.

Os adolescentes terão que passar por uma avaliação psicológica a cada seis meses e, dependendo do resultado, podem ser liberados antes do período previsto pela Justiça. A promotora explica como funciona os processos nos atos infracionais envolvendo menores de idade.

“Toda vez que um adolescente prática um ato infracional, que nada mais é que o crime no âmbito da infância. Nesse sentido, o Ministério Público promove uma representação. O caso então é analisado pelo juiz, são produzidas provas, são feitas audiências, os adolescentes tem garantia de defesa exatamente como um adulto. Ao final, o juiz determina uma sentença socioeducativa para ser cumprida. Quando temos casos graves, temos as medidas de internação, que seria o equivalente a uma prisão. Todas as medidas que são aplicadas tem cunho pedagógico, então seria entre aspas equivalente a uma prisão porque tem a privação de liberdade”, descreveu.

Ferido com maior gravidade no ataque a tiros na Escola, o estudante Bruno Raphael Facundo, de 15 anos – atingido com um tiro na coluna – recuperou os movimentos e segue em tratamento em casa. O outro jovem, vítima do ataque, foi atingido por um tiro de raspão e não chegou a ser internado. O atirador de 15 anos usou uma garrucha calibre 22, semelhante a um revolver de cano curto.

Logo depois do ataque, os pais dele disseram na delegacia que sabiam que o filho sofria bullying por estar acima do peso e por ser do interior. A mãe afirmou ainda tentava orientá-lo a respeito, mas que não esperava que o garoto pudesse reagir com tamanha violência.

 

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