Após 18 anos, fazendeiro é condenado pela morte de trabalhador rural

Mariana Ohde


O ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Menezes Prochet, foi condenado a 15 anos e nove meses de prisão, em júri popular, pela morte de um trabalhador rural sem-terra.

O júri popular foi realizado nesta segunda-feira (31), em Curitiba. Foram quase 15 horas de julgamento.

Seis testemunhas do conflito armado foram ouvidas pelo júri. Quatro delas viram o momento em que Sebastião Camargo foi morto e reconhecem Prochet como autor do disparo.

Depois de ouvidas as testemunhas, a defesa e a acusação, o júri responsabilizou Marcos Prochet pela morte de Sebastião Camargo. O fazendeiro deve recorrer da decisão.

Caso

Este é o quarto fazendeiro condenado por envolvimento no assassinato do agricultor.

Sebastião Camargo foi morto aos 65 anos durante um despejo ilegal. O caso aconteceu em 1998, em uma fazenda no município de Marilena, região Noroeste do Paraná. Na época, as terras estavam em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e seriam destinadas à reforma agrária.

Demora

A Promotoria fez críticas, durante o julgamento à morosidade do andamento processual. O caso precisou de 18 anos para chegar a uma sentença. Nas últimas duas décadas, a defesa de Prochet entrou com uma série de recursos para evitar o júri popular.

Além disso, o primeiro julgamento do caso, realizado em 2013, foi anulado pela Justiça um ano depois.

Decisão histórica

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) considera a decisão histórica. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, apenas 6% das mortes de agricultores, com envolvimento de latifundiários, são investigadas.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal