Fraude em licitação de transporte é alvo de operação no Paraná

Narley Resende


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-MP) cumpre na manhã desta quarta-feira (29) mandados de prisão e de busca e apreensão em uma operação que apura fraudes em licitações no transporte coletivo de Guarapuava, nos Campos Gerais, e pelo menos outras duas cidades do Paraná. A maior parte dos mandados é cumprida em Curitiba. Pelo menos uma empresa que opera no transporte coletivo é alvo da operação.

A ação, chamada de Operação Riquixá, que começou por volta das 5 horas, conta com dezenas de agentes do Gaeco. Um dos alvos da operação é uma das empresas da família Gulin, que também controla quase 70% das ações das empresas que compõem os três consórcios que operam em Curitiba. As concessões de Curitiba, porém, não estão entre os alvos da operação.

Segundo o procurador Leonir Batisti, coordenador do Gaeco em Curitiba, a operação teve origem em Guarapuava, mas se desdobra em várias cidades. “É uma operação do Gaeco de Guarapuava e do Patrimônio Público do município no setor de transporte, mas se desdobra em vários cidades. A maior parte dos mandados, as pessoas envolvidas, estão em Curitiba. Em residências e em locais profissionais. Também temos mandados de prisão. Nçao podemos divulgar os números porque ainda pode prejudicar o andamento da operação”, disse ao Paraná Portal.

Mais informações devem ser divulgadas a partir das 13 horas destas quarta-feira. O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou que ainda não tem informações sobre a operação em Guarapuava e, por enquanto, não deve se manifestar.

Família Gulin

Em 2013, um mapeamento feito pela CPI do Transporte Coletivo, instaurada pela Câmara de Curitiba, revelou que 68,7% das ações das empresas que compõem os três consórcios que operam na capital estão concentradas nas mãos da família Gulin. Para os vereadores que compunham a comissão, o levantamento indicava que as empresas se articularam em cartel – organização com vistas a eliminar a concorrência.

Na época, o Setransp desqualificou a tese de concentração de 70% do sistema de transporte da capital paranaense nas mãos da família Gulin garantindo que, apesar do sobrenome em comum, as empresas operam de forma independente e não podem ser consideradas como pertencentes a um mesmo grupo econômico.

A família é dona das empresas Auto Viação Marechal, Auto Viação Redentor, Transporte Coletivo Glória e Viação Cidade Sorriso. Os Gulin também controlam uma empresas de ônibus na região metropolitana (Auto Viação Santo Antônio) e linhas de transporte intermunicipais, como a Princesa dos Campos (Ponta Grossa), Vale do Iguaçu (Pato Branco), Pioneira (Cascavel), Pérola do Oeste (Guarapuava) e a VCG (Ponta Grossa).

Distrito Federal e Guarapuava

Em janeiro deste ano, o juiz Lizandro Gomes Filho, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, anulou a licitação do transporte público da região por entender que houve irregularidades no processo de licitação do transporte que começou em 2011. Uma nova licitação contratando outras empresas de ônibus foi determinada.

O advogado Sacha Reck, especializado no setor de transportes, que presta serviço para a família Gulin, agiu “ilicitamente na gestão e consultoria” para a disputa entre as empresas de ônibus, segundo o juiz em despacho. “Agir inescrupuloso de um projeto de burla à moralidade, que se constituiu muito antes da abertura da licitação e aceitou que uma pessoa interessada, alheia aos quadros públicos, opinasse e gerenciasse a concorrência”. “A atuação do advogado Sacha Reck, sem nenhuma dúvida, sempre foi direcionada a uma contratação viciada”, despachou o juiz na época.

Os empresários Constantino de Oliveira e da família Gulin, que estavam entre os vencedores, são clientes de Sacha em outros serviços advocatícios, segundo as investigações. A ação daquele estado envolve o Governo do Distrito Federal e as empresas vencedoras da licitação: Expresso São José, Marechal, HP-Ita Transportes (Urbi), Pioneira e Piracicabana.

Paraná

Nas ações judiciais sobre o DF, foi citado que Sacha e o pai Garrone Reck são investigados no Paraná também por supostas interferências que teriam direcionado resultados de licitação dos transportes. Eles chegaram a ter os bens bloqueados pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Sacha e Garrone foram investigados por improbidade administrativa e fraudes em licitação no Paraná.

O advogado Sacha Reck ao longo da polêmica licitação no Distrito Federal sempre negou as supostas irregularidades. Segundo ele, o trabalho de consultoria foi legítimo e não houve direcionamento da licitação. Documentos comprovariam a legitimidade do processo. Nesta quarta-feira (29), o advogado Sacha Reck não atendeu às ligações da reportagem. O Gaeco não confirmou que Reck seja alvo da investigação.

Advogado

Até 2014, Sacha Reck era sócio de Guilherme Gonçalves, preso no último domingo (26) pela Polícia Federal, como parte da Operação Custo Brasil. A dupla advogava para os proprietários do transporte coletivo de Curitiba, ganhou experiência na área e passou a escrever editais para prefeituras. Os problemas começaram no Distrito Federal quando deputados distritais questionaram o consórcio que venceu a licitação da capital federal. Uma empresa curitibana ganhou a corrida e as dúvidas foram levantadas.

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