39 presos fugiram da Penitenciária de Cascavel durante rebelião, diz Depen

Andreza Rossini


O diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo, afirmou em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (16), que 39 detentos fugiram da Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), durante a rebelião que durou 48 horas e deixou um preso morto e 28 feridos.

Dos fugitivos, três foram recapturados até esta manhã.  Na madrugada de quarta-feira (15) outras seis pessoas tentaram deixar o local por um túnel cavado durante a rebelião. Segundo Cartaxo apenas dois conseguiram a fuga efetiva. “Um deles quebrou a perna na saída do túnel e foi encontrado lá. Três foram encontrados dentro das dependências do presídio e dois conseguiram sair. Um deles foi recapturado horas depois e, o outro, pode estar escondido dentro dos escombros da penitenciária”, afirmou Cartaxo.

O diretor do Depen afirmou que a contagem foi feita logo após a rebelião. “Nós temos toda a unidade contida nos pátios de trabalho. Acontece que essa unidade tem os presos do convívio normal e os presos de seguro, que são aqueles que não podem ficar com os outros presos devido ao risco de vida. Esses presos que estão no seguro foram os que tentaram a fuga no feriado”, explicou.

O Secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, confirmou que a rebelião foi causada por presos faccionados. “Foi sim uma ação do crime organizado. O que não foi é uma determinação da facção criminosa no estado para que houvesse aquela ação. Eles queriam eliminar o indivíduo que mudou de lado, trocou de facção. Acharam um momento de fraqueza e tomaram a cadeia”, disse.

Ainda segundo Mesquita, os presos de Cascavel estão com medo. “Alguns presos estão temerosos por questão de gestão interna das facções, acabam se escondendo. Se tratou de uma ação do crime organizado dentro do presídio”, afirmou.

Cartaxo ressaltou que transferência de presos e troca de direção em presídios não são negociáveis durante as rebeliões. “Quando atendíamos aos pedidos e transferíamos o preso, tínhamos uma rebelião atrás da outra”.

Reestruturação

De acordo com a Sesp foram liberadas verbas emergenciais de R$ 2 milhões para as obras de reconstrução da PEC. Segundo Cartaxo, os próprios presos trabalham nas obras e os túneis estão sendo bloqueados. “O que está sendo reestruturado agora são as paredes dos cubículos do bloco 1, que é o que os detentos quebraram na rebelião. Tão logo o cimento cure, nós poderemos reencaminhar os presos para as respectivas celas”, apontou.

“Hoje é evidente que os presos não estão em uma situação de conforto. Estão em um pátio coberto e com condições sanitárias, mas na dificuldade da convivência permanente entre os cerca de 700 presos”.

Rebelião

A Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) passou por uma rebelião que durou 48 horas e destruiu 70% da estrutura do presídio. O motim foi organizado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que mantiveram detentos de outra facção e dois agentes penitenciários como reféns. Segundo Cartaxo, o objetivo do PCC era eliminar quatro presos.

Um dos funcionários da penitenciária foi resgatado ainda no primeiro dia. Um preso foi decapitado. Ele seria líder da facção “Máfia Paranaense” e já estava jurado de morte pelo PCC.

Segundo a Sesp, a rebelião foi motivada por uma briga entre facções e os presos não fizeram exigências. De acordo com a secretaria, o presídio de Cascavel abrigava 980 detentos. A capacidade da penitenciária é para 1.160 presos.

 

 

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