Gaeco cumpre 14 mandados contra organização criminosa que atuava em penitenciária

De acordo com o Gaeco, um agente penitenciário recebia até R$ 4 mil para introduzir 300 gramas de maconha na Casa de Custódia de Londrina

Redação - 16 de fevereiro de 2022, 08:40

Geraldo Bubniak/AGB
Geraldo Bubniak/AGB

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) cumpriu 14 mandados contra uma organização criminosa associada ao tráfico de drogas, na região norte do Paraná, nesta quarta-feira (16). Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão em Apucarana, Arapongas, Faxinal e Jacarezinho

A operação teve como alvos um agente prisional temporário lotado na Casa de Custódia de Londrina na época dos crimes investigados – atualmente preso –, cinco detentos e quatro mulheres. Todos são investigados por crimes de associação ao tráfico, tráfico ilícito de entorpecentes, corrupção ativa, corrupção passiva e ingresso de aparelhos celulares no interior da unidade prisional.

Os mandados de prisão contra os investigados já detidos na Casa de Custódia de Londrina e na Penitenciária Estadual de Londrina foram cumpridos pelo Depen, durante procedimento de revista nas celas. Os alvos já ostentam antecedentes criminais por homicídio, latrocínio, roubo, furto qualificado, motim e tráfico de drogas, entre outros. Já as buscas e apreensões, além das prisões das mulheres, foram feitas pelo Gaeco, com apoio da PMPR (Polícia Militar do Paraná).

AGENTE CARCERÁRIO TEMPORÁRIO DA CASA DE CUSTÓDIA DE LONDRINA RECEBIA DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

De acordo com o Gaeco, as investigações tiveram início com a apreensão de aparelhos celulares, maconha e fumo pela Direção da Casa de Custódia de Londrina durante revistas de rotina, que deram indícios de que teriam sido inseridos ilegalmente a partir da corrupção do servidor público. No curso das apurações, foi confirmado que o agente prisional investigado associou-se com detentos e familiares, pelo menos desde setembro de 2021, para, mediante recebimento de propina, introduzir na carceragem da CCL aparelhos celulares, drogas e fumo, comercializados pela associação criminosa dentro da cadeia pública.

Uma das mulheres presas seria responsável por entregar a droga para o agente prisional, enquanto as outras três seriam responsáveis por negociar com o agente público, receber os valores das vendas dos produtos ilícitos e fazer o pagamento da propina. Conforme verificado pelo Gaeco, o servidor receberia de R$ 3 mil a R$ 4 mil para introduzir 300 gramas de maconha na carceragem. Para fornecer um aparelho celular aos detentos, cobraria R$ 4 mil. A propina para cada pacote de fumo inserido na cadeia seria de aproximadamente R$ 300.

Em dezembro do ano passado, o agente prisional investigado foi preso em flagrante pelo Gaeco por porte ilegal de arma de fogo. Em busca domiciliar na sua residência foram localizados documentos falsos, cédulas falsificadas de R$ 20 e munições ilegais, entre outros elementos probatórios.