Gaeco denuncia 52 pessoas na Operação Publicano e suspende acordo de delação

Andreza Rossini


O Ministério Púbico do Paraná, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, no norte do Paraná, ajuizou nesta segunda-feira (6), ação criminal contra 52 pessoas por envolvimento em crimes ligados à Operação Publicano, que investiga fraudes na Receita Estadual do município.  Ente os denunciados estão oito auditores da receita, um policial civil, um contador, três advogados, três detentos e 25 pessoas que agiam como “laranjas”, quando cedem o nome para abertura de contas bancárias para lavagem de dinheiro ou para figurar como sócios de empresas.

Quatro dos processados estão em prião preventiva. A denúncia aponta os crimes de organização criminosa, associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva tributária, extorsão, corrupção de menores, falsidade de documentos e lavagem de ativos, um total de 42 crimes.

Alguns crimes foram cometidos após a homologação de contratos de colaboração premiada, que foram suspensos após esclarecimento dos fatos.  O auditor Luiz Antônio de Souza teve o cancelamento do acordo autorizado pela 3ª Vara de Justiça. Ele era o principal delator da operação e as informações prestadas anteriormente não serão anuladas. Ele é suspeito de cobrar propina de R$ 1 milhão para não incluir o nome de um empresário do setor de bate suíno em sua delação. O pagamento do valor teria sido feito com nove caminhões e uma camionete.

Operação Publicano

A Publicano investiga um esquema de corrupção na Receita Estadual de Londrina. Foram identificadas três estruturas criadas dentro desse esquema de corrupção que resultaram na denuncia apresentada nesta segunda-feira (6).

A primeira estrutura envolve empresários e particulares que utilizavam empresas registradas em nomes de laranjas para crimes de corrupção passiva, tributária, lavagem de ativos, sonegação fiscal por meio de notas fiscais frias, geração fraudulenta de créditos de ICMS e documentos falsos.

A segunda estrutura reúne um grupo de auditores fiscais associados desde 2012 e envolvidos com crimes de corrupção ativa e passiva tributária e lavagem de ativos, recebendo dinheiro de propina de empresários da organização criminosa citada na primeira estrutura.

A terceira, formada por auditores, advogados, empresários e particulares que começaram a praticar crimes após a deflagração da Operação Publicano I e a prisão de um dos auditores. Esse grupo passou a extorquir empresários, para que pagassem valores para não noticiar as irregulares já praticadas, levando a mais lavagem de dinheiro.

A Operação foi deflagrada em abril de 2015, pelo Gaeco de Londrina.

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