Gaeco e PM cumprem mandados em investigação que apura mortes e incêndio na Vila Corbélia

Fernando Garcel

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná cumprem dez mandados de busca e apreensão em Curitiba, Campo Largo, Guaratuba e Piraquara, na manhã desta sexta-feira (18) em investigação que apura as mortes ocorridas em 6 e 7 de dezembro de 2018 na Vila Corbélia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e o incêndio que destruiu centenas de moradias.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), oito mandados foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, a pedido do Gaeco, e outros dois pela Vara da Auditoria Militar, a pedido da Corregedoria da PM.

Segundo o coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, uma tentativa de homicídio também faz parte das investigações. “Houve a morte de um policial militar e na sequência dois outros mortos e um motorista de aplicativo acabou sofrendo disparos, praticamente uma tentativa de homicídio”, lembra.

“Nós estamos cumprindo esses mandados junto com a Corregedoria da Polícia Militar que tem um Inquérito Policial Militar para verificar as transgressões de caratér militar dos policiais. Na parte do Gaeco, as investigações são sobre os homicídios e sobre os incêndio que atingiu vários barracos”, comenta Batisti.


O caso

A Polícia Militar, o Ministério Público do Paraná e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa apuram as circunstâncias dos três assassinatos e de um incêndio que destruiu as casas da Vila Corbélia. Até o momento, não há qualquer confirmação sobre o motivo do incêndio e ninguém foi responsabilizado.

O policial militar Erick Nório, do 23º Batalhão, foi atingido por tiros ao chegar na comunidade para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. Na mesma noite, a vila foi incendiada. Moradores acusam a PM de represália. Por sua vez, a PM convocou coletiva de imprensa e atribuiu o incêndio a uma ação do “crime organizado” e rebateu a acusação.

Dias depois, após a divulgação de vídeos, a PM confirmou que os homens que aparecem atirando horas antes do início do incêndio no local pertencem à corporação. As imagens mostraram dois homens utilizando coletes à prova de bala da PM descendo de um carro branco e atirando à esmo, sem um alvo definido, em direção às casas da comunidade.

Ao Intercept, moradores relataram terem sido torturados e testemunharam policiais consumindo cocaína e espalhando gasolina sobre casas momentos antes do início do fogo.

Reconstrução

As famílias seguem desabrigadas, parte está em organizações sociais ou foi para a casa de parentes e amigos. Ainda em dezembro, o prefeito Rafael Greca anunciou que as famílias receberiam aluguel social por seis meses.

Antes do Natal, no dia 22 e 23 de dezembro, a TETO reconstruiu 21 residências na comunidade com mão de obra voluntária. A meta é construir 150 casas, cada uma tem o custo aproximado de R$ 5 mil. Para dar continuidade ao processo, a organização lançou uma vaquinha online que já arrecadou pouco mais de R$ 110 mil mas que ainda está longe de atingir o necessário para garantir a reconstrução de todas as moradias. A meta é R$ 775 mil.

Segundo a organização, a ação na Vila Corbélia é a maior desde o início de sua atuação no Brasil, há mais de 10 anos.

Foto: Divulgação / TETO

“Queremos dar um alento para essas famílias que perderam tudo no fogo. Muitas dessas casas destruídas pelo fogo, inclusive, tinham sido construídas pelo TETO no mês de julho de 2018. Conhecemos muito bem as famílias, o que nos deixou ainda mais chocados e preocupados com tudo o que aconteceu. Temos que agir rápido e adiantar nossos processos para que essas pessoas voltem a sorrir o quanto antes. Para isso, precisamos muito da ajuda de todos os brasileiros”, comenta Lucas Kogut, gestor da divisão paranaense do TETO.

A próxima etapa de reconstrução das casas está prevista para acontecer em fevereiro e a seleção das famílias prioritárias para construção das casas segue critérios de urgência.

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