Gaeco apura fraudes na venda de oxigênio para prefeituras do Paraná e SC

Empresa fornecia a hospitais e postos de saúde cilindros com gás destinado a uso industrial – que tem grau de pureza inferior – no lugar de oxigênio medicinal.

Redação - 08 de junho de 2022, 09:56

Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr
Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), núcleo do Ministério Público do Paraná (MPPR), deflagrou uma operação na manhã de hoje (8) para apurar fraudes na venda de oxigênio para prefeituras do Paraná e Santa Catarina.

Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, além de ordens judiciais de proibição de exercício de atividade econômica e indisponibilidade de bens.

Os trabalhos da Operação Rarefeito ocorrem em 19 municípios do Sudoeste paranaense e um do Oeste catarinense:

  •  Pato Branco
  • Capanema
  • Palmas
  • Realeza
  • Ampére
  • Chopinzinho
  • Clevelândia
  • Dois Vizinhos
  • Honório Serpa
  • Mangueirinha
  • Salto do Lontra
  • Santa Izabel do Oeste
  • São João
  • Vitorino
  • Mariópolis
  • Itapejara do Oeste
  • Bom Sucesso do Sul
  • Pranchita
  • Coronel Vivida
  • Galvão (Santa Catarina)

INVESTIGAÇÕES APURAM ADULTERAÇÃO DE OXIGÊNIO

Conforme o Ministério Público, as investigações tiveram início em outubro de 2021 e apuram a prática dos crimes de organização criminosa, fraude a licitação, crime contra relação de consumo e adulteração de produto destinado a fins medicinais. As vítimas são principalmente prefeituras.

De acordo com as apurações, uma empresa do ramo de distribuição de oxigênio, localizada em Pato Branco, fornecia a hospitais e postos de saúde cilindros com gás destinado a uso industrial – que tem grau de pureza inferior – no lugar de oxigênio medicinal. As prefeituras e instituições de saúde compravam acreditando tratar-se de oxigênio medicinal, ainda segundo o MP.

Essa adulteração do produto, por meio do transvase entre cilindros, acontecia sem a autorização dos órgãos responsáveis, de forma artesanal e sem nenhum cuidado sanitário para evitar a contaminação do gás. Outra ilegalidade constatada foi em relação ao volume comercializado, com os compradores pagando por volumes maiores do que os efetivamente recebidos.

Por conta dessas adulterações, o grupo criminoso vencia inúmeras licitações, fornecendo o produto a preço muito inferior aos cobrados no mercado.

Desde o início de 2020, o prejuízo estimado nos contratos firmados com mais de 20 municípios e entidades públicas chega a R$ 750 mil, podendo alcançar R$ 3 milhões caso os contratos em vigor sejam cumpridos integralmente.

O mandado de prisão preventiva foi expedido contra o proprietário da empresa distribuidora de oxigênio. Dos 30 mandados de busca e apreensão, quatro foram cumpridos em empresas possivelmente envolvidas com os fatos, seis em residências de empresários e 20 em prefeituras vítimas dos crimes investigados, sendo 19 delas no Paraná.

O cumprimento dos mandados nos municípios e entidades hospitalares vítimas da atuação criminosa tem como objetivo o recolhimento de cilindros de oxigênio medicinal para a realização de perícia. No cumprimento dos demais mandados, buscam-se documentos e aparelhos eletrônicos que também possam ser analisados.

Além de agentes do Gaeco, a operação também contou com o apoio da Polícia Civil, da Polícia Científica e do Gaeco de Santa Catarina.