Gaeco cumpre mandados contra grupo suspeito de fraudar documentos

Conforme o Gaeco, os investigados são suspeitos de fraudar documentos para se apropriar de bens de um grupo criminoso rival.

Rafael Nascimento - 04 de agosto de 2022, 09:56

(Foto: Reprodução/Google Street View)
(Foto: Reprodução/Google Street View)

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná (MPPR), realiza uma operação nesta quinta-feira (4), na região Norte do Paraná, contra uma organização suspeita de fraudar documentos para se apropriar de bens de um grupo criminoso rival.

Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, extorsão, estelionato, falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa.

Conforme o MP, estão sendo cumpridos dez mandados de prisão temporária e 26 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Londrina. No Paraná, as ordens judiciais são cumpridas em:

  • Arapongas
  • Sabáudia
  • Faxinal
  • Jandaia do Sul
  • Ibiporã
  • Guaíra

Também há mandados sendo cumpridos em Bauru (SP) e em São Paulo, Mundo Novo e Dourados, no Mato Grosso do Sul, e Goiânia e Palmeiras, em Goiás.

O Gaeco estima que o grupo criminoso movimentou R$ 4 milhões com as fraudes. 

Investigações

As investigações da Operação Fauda tiveram início em maio de 2021, em Londrina, onde uma mulher foi presa em flagrante em diligência do Gaeco e da Divisão Estadual de Narcóticos, utilizando documento falso para tentar se passar pela companheira de um narcotraficante condenado no âmbito das operações Zaquel, deflagrada em 2007, e Ferrari, iniciada em 2015, ambas da Polícia Federal. A mulher estava num cartório de notas da cidade, tentando transferir imóvel residencial de alto padrão pertencente a pessoa envolvida com o narcotráfico.

Com a prisão dessa primeira investigada, identificou-se a existência de associação criminosa já conhecida no meio policial, de Arapongas, que falsificava documentos para registrar procurações e escrituras públicas com a finalidade de se apropriarem de bens de origem ilícita, como imóveis, veículos e valores em conta bancária, pertencentes a um casal investigado por narcotráfico pela PF nas operações mencionadas.

Apurou-se que o casal em questão, residente na cidade de Mundo Novo (MS) e que comandaria uma organização criminosa, encontra-se desaparecido desde o início de 2018, após disputa com um grupo rival formado por narcotraficantes investigados no âmbito da Operação Laços de Família, da Polícia Federal, deflagrada em 2018. O líder dessa segunda organização criminosa, também sediada na região de Mundo Novo, encontra-se preso em presídio federal por homicídio qualificado praticado contra diversos integrantes da organização criminosa investigada na Operação Zaquel. Há suspeita de que o casal desaparecido também tenha sido morto por esse grupo.

As investigações demonstraram ainda que os bens do casal desaparecido, que incluem propriedade rural e mansão em Mato Grosso do Sul, também foram alienados para os investigados mediante fraude. Inclusive, a esposa do líder dessa segunda organização criminosa, alvo de mandado de prisão nesta quinta-feira, está residindo na residência do casal desaparecido, em companhia de um advogado, que também é alvo de mandado de prisão.

Tanto a quadrilha de Arapongas como a quadrilha de Mundo Novo teriam se valido de familiares do casal desaparecido para facilitar as transferências dos bens.

Além de recolher provas dos crimes, a Operação Fauda busca a recuperação desses ativos de origem ilícita e sua destinação conforme a legislação em vigor.