Operação do Gaeco investiga incêndio que destruiu Vila Corbélia

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-PR (Ministério Público do Paraná) deflagrou, ne..

Francielly Azevedo - 18 de setembro de 2019, 07:25

Divulgação / ONG TETO
Divulgação / ONG TETO

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-PR (Ministério Público do Paraná) deflagrou, nesta quarta-feira (18), a segunda fase da Operação Tális, que investiga mortes e o incêndio que destruiu centenas de casas na Vila Corbélia, no bairro Cidade Industrial (CIC), em Curitiba. O caso aconteceu no dia 7 de dezembro de 2018.

Segundo o Gaeco, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em 16 residências de policiais militares na capital, uma em Araucária, uma em Ponta Grossa e uma em São José do Seridó, município do Rio Grande do Norte.

O coordenador do GAECO, Leonir Batisti, disse mais cedo que a investigação está sobre sigilo e que espera solucionar o mais rápido possível a relação da morte do policial e dos civis envolvidos no crime. "Estamos fazendo o que é possível fazer para apurar os fatos mencionados, além do incêndio que acabou com a Vila Corbélia", afirmou.

Veja o material apreendido agora cedo

https://www.youtube.com/watch?v=3MdwHMxyMKM&feature=youtu.be

O INCÊNDIO

O incêndio de grandes proporções aconteceu na madrugada do dia 7 de dezembro. Um dia antes, um policial militar e dois moradores da vila foram mortos e um motorista de aplicativo ficou ferido a tiro. A Polícia Militar, o Ministério Público do Paraná e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa abriram diligências para apurar as circunstâncias dos ocorridos.

O policial militar Erick Nório, do 23º Batalhão, foi atingido por tiros ao chegar na comunidade para atender uma ocorrência de perturbação de sossego. Na mesma noite, a Vila foi incendiada. Moradores acusaram a PM de represália. Já a PM atribuiu o incêndio a uma ação do “crime organizado” e rebateu a acusação.

Após os fatos, um vídeo foi entregue ao Ministério Público do Paraná. Nele, dois homens, que vestem coletes balísticos da Polícia Militar, descem de um carro branco e atiram contra casas e ordenam que moradores de uma área de invasão em Curitiba se recolham.

Dias depois, após a divulgação do vídeo, a PM confirmou que os homens que aparecem atirando horas antes do início do incêndio no local pertencem à corporação.

Na ocasião, moradores relataram terem sido torturados e testemunharam policiais consumindo cocaína e espalhando gasolina sobre casas momentos antes do início do fogo.