GM será investigado após abordagem a negros fora do horário de trabalho

Fernando Garcel e Andreza Rossini


Um procedimento foi aberto pela Secretaria da Defesa de Londrina, no norte do Paraná, para analisar a conduta de um Guarda Municipal (GM) que abordou, fora do horário de trabalho, dois jovens, que estavam dentro de um carro.

De acordo com os relatos publicados pelos amigos nas redes sociais, o homem chegou armado e sem identificação fazendo a abordagem, às 11 horas do último sábado (6). “Estávamos estacionados pedindo informações, alguns minutos depois que o pessoal foi embora, apareceu o cara gritando: desce do carro, tá fumando, tá cheirando pó”, relata o angolano Kiciani Pietro.

O o policial teria pedido a amiga de Kiciani, Adilza Carvalho, para encostar na parede ainda sem se identificar. “A minha amiga perguntou ‘quem é você’? É policial? Mostra o distintivo’, e ele não mostrou nada”. Enquanto discutiam, os amigos começaram a filmar (veja o vídeo abaixo).

Nas imagens, o guarda mostra a arma e afirma “antes a polícia abordar vocês do que vir um ladrão e roubar o carro de vocês, daí vocês iriam gostar que a polícia abordasse o carro que tivesse parado do outro lado da rua”.

O secretário de Defesa do município, Evaristo Kuceki, afirmou que o guarda não será afastado do trabalho. “Se fosse uma conduta grave teria afastamento, mas entendi que não houve ameaças e ele continua trabalhando normalmente. Até mesmo porque a moça tenta dizer que foi abordada por ser negra e isso não aconteceu”, afirmou.

Segundo Kuceki o caso foi encaminhado para análise da corregedoria do órgão. O Guarda está na segunda turma da Guarda Municipal há cinco anos.

A Guarda Municipal afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto e que todas as informações sobre o caso foram encaminhados para a secretaria da defesa.

As postagens denunciando o caso tiveram mais de 11 mil visualizações.

Leia os depoimentos na íntegra:

  • Kicani Pietro

“Que lugar é esse que não se pode andar a vontade mesmo em plena luz do dia? Alguns já viram esse vídeo, não sou de postar esse tipo de conteúdo, mas, pela minha grande impotência me senti obrigado a fazê-lo, as 11 horas da manhã do sábado (6) aparece um homem armado abordando eu e minha amiga, estávamos estacionados pedindo informações, alguns minutos do pessoal for embora apareceu o cara gritando, desce do carro, desce carro, tá fumando, tá cheirando pó, na hora fiquei em dúvida, perguntei, o que foi? Ele falou, desce do carro, calmamente pedi para a minha amiga descer do carro, ele gritou de Costa na parede, a minha miga perguntou quem é você? É policial? mostra distintivo, e ele não mostrou nada, continuo gritando, moça fique quieta, aí me virei e falei, vai olhar o que tem no carro ou não? Continue com que está fazendo, aí peguei o celular comecei filmando, a Adilza também filmando enquanto discutiam, de tão pequeno que me senti não consegui dormir até neste exato momento, quando vim nesse país, não sabia que minha cor de pele seria grande problema, ainda há quem diz que racismo não existe, felicidades para quem não sofre isso e revolta de quem passa isso, e aí vc saber que pode contar com alguém e essa pessoa simplesmente omiti ajuda, esse alguém é a POLÍCIA, se ele omitiu quem vai ajudar o cidadão?”

  • Adilza Carvalho

“AS 11 horas da manhã do sábado (6) aparece um homem armado abordando eu e meu amigo , estávamos estacionados pedindo informações, alguns minutos do pessoal irem embora apareceu o cara gritando, desce do carro, desce carro, tá fumando, tá cheirando pó, na hora fiquei em dúvida, perguntei, o que foi? Ele falou, desce do carro, calmamente meu amigo pediu para que eu descesse do carro, ele gritou de Costa na parede, eu perguntei quem é você? É policial? mostra distintivo, e ele não mostrou nada, continuo gritando, moça fique quieta, meu amigo virou e falou
vai olhar o que tem no carro ou não? No meio da situação apareceu um carro e eu “pensei GRAÇAS A DEUS”, corri para o carro, era uma senhora ela vendo a situação ficou muito assustada e deu RÉ NO CARRO( DEPOIS DO OCORRIDO DONA ELZA VOLTOU AO LOCAL DIZENDO QUE FOI LIGAR PARA A POLICIA, CHAMAR SOCORRO) fiquei com muito medo daquele Homem que me parecia com um olhar insano… nos sentimos pequeno
…meu amigo é de outro país não conseguiu dormir , ele disse: “quando vim nesse país, não sabia que minha cor de pele seria grande problema, ainda há quem diz que racismo não existe, felicidades para quem não sofre isso e revolta de quem passa isso, e aí vc saber que pode contar com alguém e essa pessoa simplesmente omiti ajuda, esse alguém é a POLÍCIA, se ele omitiu quem vai ajudar o cidadão?”

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