Golpe de falso investimento na bolsa movimenta R$ 200 milhões, diz PF

Esquema conhecido como pirâmide financeira fez milhares de vítimas no Paraná, além de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Rafael Nascimento - 28 de julho de 2022, 07:50

Foto: Divulgação/PF
Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal investiga uma quadrilha suspeita de praticar um golpe de falsos investimentos na bolsa de valores, no Paraná e em outros três estados. O grupo criminoso teria movimentado R$ 200 milhões com a fraude, segundo a PF.

A operação desencadeada na manhã desta quinta-feira (28) ocorre em conjunto com Receita Federal. A prática conhecida como pirâmide financeira ocorria em diversas cidades paranaenses, e o grupo ainda operava em Santa Catarina, São Paulo Rio e Rio de Janeiro.

Os valores aplicados/investidos pelas vítimas variavam de R$ 1 mil (valor mínimo aceito pelo grupo), sem limite máximo. Vale destacar que algumas das vítimas investiram cifras que ultrapassaram um milhão de reais.

Estão sendo cumpridos 17 mandados judiciais, nas cidades de Umuarama, Guaíra, Douradina, Foz do Iguaçu e Curitiba, todas no Paraná, e em Taboão da Serra (SP). Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o sequestro de automóveis, imóveis e criptoativos.  As ordens foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba/PR.

O líder do esquema fraudulento residia em Umuarama, no Noroeste paranaense.

GRUPO PROMETIA LUCROS ACIMA DO MERCADO ÀS VÍTIMAS

De acordo com a Polícia Federal, os investigados se apresentavam como “Traders” para captar economias de vítimas/investidores, a pretexto de aplicar os recursos no mercado de valores mobiliários.

A investigação apontou que os suspeitos prometiam retornos com juros acima aos praticados no mercado, com lucros de até 6,4%, embora as “mesas proprietárias” apresentassem perdas consistentes, principalmente em operações de “day trade”. Ou seja, além de não aplicar na bolsa de valores a integralidade dos recursos, o que era aplicado, normalmente resultava em prejuízo.

As operações eram feitas através de, pelo menos, 22 empresas não autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a captar recursos e realizar investimentos no mercado.

Os investigados emitiram e ofereceram ao público valores mobiliários consistentes em contratos de investimento coletivo em nome de empresa de fachada, sem registro prévio de emissão junto à CVM, sem lastro ou garantia suficientes e sem autorização prévia da Comissão de Valores Mobiliários.

Com o passar do tempo, e como é percebido no histórico de esquemas assim, os investigados não conseguiam mais honrar os compromissos assumidos, vez que os valores arrecadados não eram de fato investidos em operações de bolsa de valores e, quando eram, não resultavam nos lucros prometidos.

A partir disso, a líder do esquema, que residia em Umuarama, passou a dissimular o objeto fictício das empresas, tendo apresentado aos clientes, ora vítimas, a alegação de que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital” e que, deste novo empreendimento, conseguiria honrar os contratos de pagamentos de valores, estes muito superiores ao que o mercado real costuma pagar a investidores.

A investigação se iniciou em 2021, a partir da identificação das primeiras filiais das empresas de “operação em bolsa de valores” em pequenas cidades da fronteira paranaense com o Paraguai, como Guaíra, Douradina e Umuarama.

Chamou atenção o uso, pelos líderes do esquema, de veículos de luxo novos, na região de fronteira, incompatíveis com a renda declarada.

Durante as investigações, foi apurado ainda que a organização criminosa captou movimentou valores que ultrapassam a cifra de 200 milhões de reais e fez milhares de vítimas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, concentrando-se na região oeste paranaense e na capital Curitiba.

Os valores eram depositados diretamente nas contas das empresas investigadas e depois transferidas, parcialmente, para as constas pessoais dos líderes do esquema. A investigação segue em andamento e é feita em conjunto entre a Polícia Federal em Guaíra e o Núcleo de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil (Foz do Iguaçu/PR). A Comissão de Valores Mobiliários também colaborou com os trabalhos e acompanha as diligências em andamento.

Os envolvidos devem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, Contra o Mercado de Capitais, Contra a Economia Popular, Organização Criminosa e Lavagem de dinheiro.