Governadora classifica como pacífica e tranquila rebelião com quatro reféns na Casa de Custódia

A rebelião na Casa de Custódia de Curitiba (CCC) já é uma das mais longas da história do Paraná. A duração supera à de m..

Francielly Azevedo - 03 de julho de 2018, 21:07

Foto: Reprodução / Google StreetView
Foto: Reprodução / Google StreetView

A rebelião na Casa de Custódia de Curitiba (CCC) já é uma das mais longas da história do Paraná. A duração supera à de motins recentes em penitenciárias com presos de periculosidade muito maior e controladas por grandes facções criminosas.

A rebelião começou na noite de domingo (1.º) e completou nesta terça-feira 48 horas. Uma das mais demoradas rebeliões registradas no estado, em 2014, na Penitenciária Industrial de Guarapuava, se encerrou em dois dias.

Ao todo, a CCC possui 172 detentos rebelados na galeria. Entre as reivindicações, os presos pedem a transferência de alguns detentos, devido a superlotação do local, o retorno de quatro presos que foram transferidos anteriormente e remédios que não estariam sendo distribuídos na unidade.

A demora na solução do impasse em uma unidade que não vinha se apresentando como problemática para o sistema prisional surpreende profissionais acostumadas a negociações desse tipo.

A rebelião na Casa de Custódia de Curitiba é a primeira enfrentada pela governadora Cida Borghetti (PP) à frente da administração estadual.

Ao comentar o caso, a governadora falou em normalidade. Ela classifica o motim, que mantém quatro reféns, como pacífico.

"Nós estamos na negociação, está pacífico, tranquilo. A Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Administração Penitenciária, nós temos homens especializados, que já estão nesta negociação. Está tranquilo, pacífico, não tivemos nenhuma situação que pudesse dar insegurança aos detentos que lá estão e também aos nossos agentes penitenciários. Está correndo dentro da normalidade dos prazos legais para negociação", afirmou.

Como uma das soluções para os desafios nas unidades prisionais, Cida anunciou no final de abril a criação da Secretaria Especial da Administração Penitenciária, desvinculada da Segurança de Estado da Segurança Pública.

A nova pasta ainda está ligada administrativamente à anterior, mas é comandada com independência pelo coronel da Polícia Militar Élio de Oliveira Manoel.

Os interlocutores da PM também têm tentado tratar como normal o tempo de duração da rebelião na Casa de Custódia. Em novembro do ano passado, um preso morreu e um refém ficou ferido em uma rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), Oeste do Paraná, que durou 43 horas.

Em 2014, outra rebelião na mesma penitenciária durou 45 horas e deixou cinco presos mortos e 27 feridos. O motim é considerado um dos maiores e mais violentos registrados no estado

VÍDEO

Um vídeo divulgado nesta terça-feira (3), gravado dentro da Casa de Custódia de Curitiba, mostra detentos ameaçando dois agentes penitenciários com facas improvisadas.

Um dos agentes, pede para que o Corregedor de Justiça e um representante da Ordem do Advogados do Brasil voltem à unidade prisional. Além do retorno no fornecimento de água e luz, que foram interrompidos durante a tarde. "Eu quero pedir para essa Comissão que está negociando, que eu não estou entendendo retirar no meio da negociação a água, a luz e a comida, não vamos ficar nessa idiotice. Estamos aqui há quase quatro dias sem água. Já estive em outras rebeliões e não é assim que resolve", pede um dos agentes ameaçados.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Ricardo Miranda, se manifestou sobre o acontecido, por meio de nota, no início da noite. "Este momento é de tensão, e a dor de ver um companheiro na ponta da faca é imensurável. Pior ainda é para quem esta de refém, sem observar nenhuma possibilidade de final dessa trágica rebelião", disse.

Miranda pediu cautela nas decisões tomadas daqui em diante. "Temos que ter cautela nos nossos movimentos, para poder preservar a vida de nossos irmãos neste momento", escreveu.