Governadora determina correção de edital de concurso da PM do Paraná que previa critério de “masculinidade”

Roger Pereira

A governadora Cida Borghetti determinou nesta segunda-feira (13/08) a urgente correção dos termos do edital aberto pela Polícia Militar do Paraná para o concurso do curso de oficiais da corporação. O concurso prevê, em seu edital o critério de “masculinidade” como um dos itens a serem avaliados na seleção.

Em nota, a governadora ressaltou que “não admite qualquer postura discriminatória nos atos das instituições de Estado, e destacou o fato de ter escolhido uma mulher, a Coronel Audilene, para o comando geral da Polícia Militar”.

Edital do concurso para a seleção de 16 candidatos ao curso de formação de cadetes da PM do Paraná cita que na avaliação do “Perfil Profissiográfico e Avaliação Psicológica”, a característica “Masculinidade” será levada em consideração. Como “masculinidade”, o edital descreve a “capacidade de o indivíduo em não se impressionar com cenas violentas, suportar vulgaridades, não emocionar-se facilmente, tampouco demonstrar interesse em histórias românticas e de amor”.

Após polêmica, PM afirma que exigência de “masculinidade” foi mal interpretada


Curso da PM-PR exige “masculinidade” para os candidatos

A exigência levou a Aliança Nacional LGBTI e a ONG Grupo Dignidade a pedirem a revogação do edital. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná também se manifestou contra a exigência. Para as entidades, a exigência “desconsidera a possibilidade de mulheres candidatas a cadete” e representa “retrocesso discriminatório e permeado por machismo, chauvinismo (chovinismo) (que é patriotismo fanático, agressivo), patriarcalismo, sexismo, binarismo de gênero e heteronormatividade”.

Após a polêmica Polícia Militar se pronunciou alegando que o edital foi mal interpretado. Em nota, a PM diz que o termo é utilizado pelo Conselho Federal de Psicologia e a característica “não avalia componentes de gênero (masculino e feminino), nem esse é o objetivo da avaliação”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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