Governo e sindicatos se reúnem para definir rumo da greve dos servidores

Andreza Rossini


Representantes de 30 entidades ligadas a servidores estaduais participam de uma reunião com técnicos e representantes do governo do Paraná, nesta quarta-feira (19), para discutir sobre o reajuste da categoria.

A Casa Civil afirmou que está aberta para receber sugestões de soluções.

Os professores e outras categorias de servidores estão em greve contra  emenda da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhada pelo governador Beto Richa (PSDB) para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que retira o reajuste da categoria previsto para janeiro de 2017.

A votação da emenda foi suspensa pelo governo do estado. Os sindicatos pedem que ela seja retirada

A diretora da App-Sindicato, Marlei Fernandes, afirmou que os servidores compareceram na Alep, no início desta semana, para entregar um documento ao presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB). “Nós queremos que as emendas que retiram a nossa data-base sejam recolhidas e que possamos abrir todo e qualquer processo de negociação com o governo. Nós não podemos aceitar que a nossa data-base que já teve interferências nos próximos anos, tenha novamente neste momento”.

A promessa de reajuste foi feita para acabar com a greve dos servidores, que aconteceu no ano passado, durou 44 dias e ficou marcada pela violência do dia 29 de abril.

O Estado tem 78 mil professores e 31 mil funcionários da Educação, com 1 milhão de estudantes distribuídos em 2,1 mil escolas.

Professores

De acordo com o último informativo da App-Sindicato, que representa a categoria, à greve da cresceu no segundo dia e alcançou 65% de participação dos professores e funcionários das escolas.

 A greve dos professores e as ocupações nas escolas, realizadas pelos alunos em protesto a reforma no ensino médio, deve alterar o calendário letivo deste ano. A Secretaria da Educação estima que as aulas só terminem em fevereiro de 2017.

Delegacias

A paralisação dos policiais começou na segunda-feira (17). “Temos subdivisões 100% paralisadas. Com certeza a greve ultrapassa os 90% das delegacias no Estado. Só aguardamos a adesão dos delegados”, declarou o presidente do sindicato, André Luiz Gutierrez.

A Polícia disse não saber precisar o número de delegacias afetadas, mas informou que o atendimento ao público acontece, já que o sindicato se comprometeu a manter 30% do efetivo trabalhando.

Sem reajuste

A lei em questão determina que o governo pague, em 1° de janeiro, o reajuste atrasado dos servidores, repondo os índices de inflação de janeiro a dezembro de 2016, acrescentando ainda mais um percentual de 1% de adicional de data-base relativo à compensação dos meses não pagos do ano de 2015. A lei foi proposta após acordo que encerrou a greve do funcionalismo no ano passado.

As propostas de emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado, que atrasa o pagamento do reajuste, foi encaminhada pelo governador Beto Richa à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na última terça-feira. Elas foram lidas em plenário e precisam passar pelo trâmite da casa para ser apreciada no plenário.

O líder do governo na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli, do PSB, anunciou na terça da semana passada que o congelamento dos salários dos servidores só será votado depois que o projeto de ajuste fiscal da União for aprovado em Brasília.

O PL-257 é o texto que estabeleceu a renegociação das dívidas e impôs novas regras aos Estados. O projeto já foi aprovado na Câmara Federal, mas ainda tem que passar no Senado, sem data marcada.Romanelli defendeu, no entanto, que o congelamento dos salários será necessário devido à crise financeira.

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