Governo recua e aguarda o fim da greve dos servidores

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

O governo do Estado recuou ontem e aceitou retirar o item 33 da emenda nº 043/2016 (que suspenderia a data-base dos servidores pú- blicos no ano que vem) caso as greves sejam encerradas.

A medida vinha sendo pedida pelos sindicatos como condição para a volta ao trabalho. O mais numeroso deles, a APP-Sindicato, dos professores, já marcou assembleia estadual para as 8h30 de amanhã, na capital, para decidir sobre o rumo da paralisação. Docentes de universidades estaduais em greve também se reúnem hoje e amanhã.

O chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), já assinou um termo de acordo com o FES (Fórum das Entidades Sindicais). “Trazendo esse documento assinado, o governo do Paraná vai cumprir o compromisso e retirar a proposta no mesmo instante”, declarou. Se o fim das greves for aprovado, isto ocorreria já na segunda-feira.

O termo, no entanto, admite a possibilidade de a proposta ser reapresentada no fim do próximo mês, caso governo e sindicatos não encontrem uma solução que permita algum reajuste aos funcionários públicos estaduais. “Nós que conhecemos as finanças do Estado não vemos muito espaço para negociação, mas vamos expandir este diálogo até o final de novembro. Existe a possibilidade de construir uma emenda em conjunto com os sindicatos. Se não houver entendimento, o governo vai enviar a mesma emenda para a Assembleia Legislativa”, explicou Rossoni.

Governo e FES divergem sobre o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2017 enviado à Alep. Enquanto o Estado prevê crescimento zero do PIB (Produto Interno Bruto), os servidores se baseiam em projeção do Boletim Focus, do Banco Central, que indica crescimento do PIB em 1,5% no Paraná. Para o Executivo, o reajuste dos servidores no ano que vem custaria R$ 2,1 bilhões, contra R$ 1,9 bilhão na conta do FES.

Polícia Civil

Os policiais civis dizem que a greve continua. “Nosso problema não é só o dissídio, ele caiu no meio da nossa pauta, que é a falta de coletes, efetivo e presos nas delegacias”, disse o presidente do Sinclapol, André Luiz Gutierrez. A categoria, entretanto, é independente do FES e não deve inviabilizar o acordo.

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