Greve completa uma semana e audiência será retomada hoje

Com Metro CuritibaA greve do transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana completa nesta terça-feira (2..

Mariana Ohde - 21 de março de 2017, 07:01

Com Metro Curitiba

A greve do transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana completa nesta terça-feira (21) uma semana. A paralisação deve continuar, pelo menos, até a tarde, quando Urbs, Comec e sindicatos de empresas e trabalhadores retomam a audiência no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) a partir das 14h30.

Segundo a Urbs, às 7h30 desta terça-feira, havia 35,6% dos ônibus nas ruas. Sendo um horário de pico (5h às 9h e 17h às 20h), esta porcentagem deveria ser de 50%, segundo determinação da Justiça, que também estabeleceu frota mínima de 40% para os demais horários. A multa para descumprimento é de R$ 100 mil por hora.

Ontem, no sexto dia de paralisação, a frota mínima também não foi respeitada ao longo do dia, de acordo com a Urbs. Das 5h às 9h, por exemplo, os boletins apontaram variação da frota entre 31% e 45% – abaixo dos 50% exigidos – além de 17 estações-tubo sem cobradores às 6h30. Às 12h30 e 13h30, 39% dos ônibus rodavam (abaixo dos 40%) e às 17h30 eram 40% (abaixo dos 50%).

Em nota, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) rebateu e afirmou estar cumprindo rigorosamente as frotas mínimas exigidas. Além disso, declarou que os dados divulgados são completamente questionáveis pelo fato de a Urbs ser uma sociedade anônima e ‘nessa condição não possui fé pública’.

Não bastasse o baixo número de veículos nas ruas e aperto dentro deles, o dia ainda teve ‘comboio de ônibus’ e acidentes. No fim da manhã, segundo a Urbs, vários biarticulados da linha Santa Cândida-Capão Raso andaram em comboio e passageiros chegaram a esperar uma hora em terminais e tubos no sentido bairro na região Sul da cidade. Na mesma linha, às 10h30, um ônibus desgovernado sofreu um acidente próximo da esquina da República Argentina com a Silva Jardim e bateu em dois carros estacionados ao lado da canaleta.

Já no início da tarde, às 14h30, um ligeirão da linha Boqueirão bateu em um carro no cruzamento das avenidas Marechal Floriano e Iguaçu. Neste caso, o Palio Weekend teria feito uma conversão proibida. Congestionamento O engarrafamento na capital ontem teve seu ápice às 18h24, com 155 km de vias congestionadas de acordo com dados do site MapLink. Pela manhã, às 8h, foram 143 km de congestionamento, bem acima da média de 94 km.

Negociações

Na audiência de sexta-feira (17), o impasse sobre a data-base de motoristas e cobradores em nada avançou. Enquanto a categoria pediam 15% de aumento salarial (o mesmo da passagem) e elevação do vale-alimentação de R$ 500 para R$ 977, os patrões mantiveram a proposta de 5,43% de reajuste no salário e benefícios – a reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Ontem (20), os trabalhadores apresentaram um novo pedido aos empresários: aumento salarial de 10% e vale-alimentação de R$ 700, valores ainda considerados fora da realidade econômica do país pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e região (Setransp).

O prefeito Rafael Greca (PMN), que pouco havia se manifestado desde o início da greve, deu novos sinais ontem de que uma contraproposta dos patrões não deve chegar perto deste pedido. Ele também afirmou que espera a resolução do dissídio e de pendências judiciais das empresas com o município para repassar o dinheiro da nova tarifa. “Até agora nenhum empresário recebeu nada do aumento da tarifa e nem receberá, se não cumprir o que planejamos”, escreveu nas redes sociais.

Greca reafirma 6%

Na véspera da retomada da audiência sobre a greve do transporte coletivo no TRT-PR, o prefeito Rafael Greca (PMN) deu sinais de que uma nova proposta das empresas aos trabalhadores não deve ser muito melhor do que a já feita de 5,43% – a reposição da inflação.

Sobre a diferença entre a tarifa técnica (R$ 3,66) e a tarifa cobrada (R$ 4,25), o prefeito afirmou que ela está sendo armazenada no Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC).

“Nosso objetivo é juntar recursos para promover o reequilíbrio do sistema sucateado; fazer frente às despesas com até 6% de reajuste com salários motoristas e cobradores após o dissídio retroativo a 1º de fevereiro; renovar a frota existente e ainda aumentá-la – no eixo Norte-Sul, com a compra de 24 biarticulados”, escreveu em seu perfil no Facebook. Greca também disse que a renovação da frota ainda não começou “porque Curitiba precisa que as empresas desistam das ações contra a prefeitura”.