Greve de auditores causa filas no maior Porto Seco do Brasil

Mariana Ohde


A greve dos auditores fiscais da Receita Federal causou filas no maior Porto Seco do Brasil, em Foz do Iguaçu, Paraná. Nesta quinta-feira (14), o local atingiu a capacidade máxima de cargas. O número de caminhões no pátio passou de 700 e mais de mil caminhoneiros precisaram esperar a liberação das cargas. Uma fila se formou na Avenida Paraná e o trânsito ficou lento.

Durante o dia, os auditores liberaram apenas cargas perigosas, perecíveis e com baixo risco de irregularidades. A próxima mobilização deve acontecer na terça-feira (19), quando novos atrasos para a liberação devem acontecer.

Em nota, a assessoria da Receita Federal explicou que 575 caminhões foram liberados nesta quinta-feira – número menor do que o registrado em dias normais, quando até 800 caminhões passam pelo Porto Seco.

Confira a nota na íntegra:

Ontem foram liberados 575 caminhões, que correspondem às cargas perigosas, perecíveis e canal verde (cargas com baixo risco de irregularidades que são liberadas automaticamente pelo sistema). Em um dia normal seriam liberados de 750 a 800 caminhões.

No momento há 530 caminhões aguardando para entrar no Porto: 80 provenientes da Argentina, 40 provenientes do Paraguai e 410 de exportação.

Uma informação importante:

Ao contrário do que tem sido divulgado, o Porto Seco de Foz do Iguaçu é o maior do Brasil, sendo considerado também o maior da América Latina há 4 anos, segundo dados da ABTI (Associação Brasileira de Transportadores Internacionais).

Greve

Esta quinta-feira foi o primeiro dia de mobilização dos auditores fiscais da Receita Federal. Os servidores entraram em operação padrão por tempo indeterminado e devem cruzar os braços dois dias por semana – nas terças e quintas.

A categoria alega descumprimento do acordo salarial fechado no fim de março, porque o governo ainda não informou quando enviará ao Congresso o projeto de lei que reajusta as remunerações e atende a outras reivindicações não salariais.

Em nota, o Sindifisco Nacional, entidade que representa os auditores, informou que a reunião de quarta-feira (6) entre representantes da categoria e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, terminou sem avanços. Segundo a nota, não há prazo para o envio do projeto e existem dificuldades técnicas e jurídicas em relação ao bônus de eficiência previsto no acordo.

Conforme o Sindifisco Nacional, a decisão do governo de instituir uma gratificação para médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) representou o estopim da operação padrão. Na quinta-feira (7), o governo anunciou o pagamento de R$ 60 por perícia para os médicos que trabalharem além do horário revisando 840 mil auxílios doença e 3 milhões de aposentadorias por invalidez concedidos há mais de dois anos.

A Receita Federal informou que não comenta mobilizações de servidores.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal