Grupo defende projeto alternativo à Faixa de Infraestrutura do litoral

Francielly Azevedo - CBN Curitiba


O projeto alternativo para melhorar o trânsito, a economia e o turismo nas regiões de Pontal do Paraná e Ilha do Mel continua sendo debatido entre representantes da sociedade e o Governo do Paraná. A iniciativa propõe a substituição da chamada Faixa de Infraestrutura, que prevê a construção de um complexo industrial portuário na região. No local, seria construída uma rodovia de 24 quilômetros, paralela à PR-412, como alternativa de tráfego.

A obra gera intensas discussões em função da necessidade da derrubada de uma extensa área preservada de Mata Atlântica e porque deve favorecer um porto privado.

Em agosto, cerca de 20 entidades não governamentais entregaram o projeto alternativo, que ganhou o nome de “Ciclo-Rodovia Interpraias”. Ele pretende interligar municípios, balneários e ilhas por meio de 50 quilômetros de ciclovias e 33 quilômetros de rodovias.

De acordo com o gerente de parcerias estratégicas do Observatório de Justiça e Conservação, André Dias, a Faixa de Infraestrutura trará diversos problemas para o litoral. “Primeiro que a faixa de Infraestrutura está prevista para o lado de dentro do município e não para o lado de fora, como a gente sabe o efeito de espinha de peixe ao lado de rodovias no Brasil é notório. Vai servir essa rodovia como um vetor de invasão de toda a área bem conservada de mata ao lado esquerdo da faixa de infraestrutura”, diz.

O projeto alternativo foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo lançado pela campanha #SalveAIlhaDoMel. Os engenheiros e arquitetos que desenvolveram a solução foram pagos pelos recursos dessa vaquinha online, que arrecadou, em 60 dias, cerca de R$ 40 mil.

A solução pretende melhorar a PR-412 com a duplicação da rodovia, ou a criação de uma espécie de binário, utilizando a beira-mar das praias. A ideia é desafogar o trânsito na rodovia que fica congestionada durante a temporada, prejudicando o turismo, segundo André Dias. “A gente apoia a necessidade da solução do problema viário que existe em pontal. Essa é uma demanda que está ligada ao turismo, ao comércio. A nossa proposta defende empregos de qualidade, geração de empregos e renda por meio do turismo”, explica.

O projeto da “Faixa de Infraestrutura” começou a ser discutido na administração do ex-governador Beto Richa. A ideia é a construção de mais de 20 quilômetros de rodovia até a região onde será construído o porto particular e tem investimento calculado em R$ 270 milhões.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) também foi contrário ao projeto apresentado pelo Executivo.

No início do mês, a Assembleia Legislativa autorizou a contratação de um empréstimo de R$ 1,6 bilhão do Governo do Paraná junto à Caixa Econômica Federal. Parte do montante está previsto para ser aplicado na Faixa de Infraestrutura.

Segundo André Dias, o objetivo do grupo que desenvolveu a proposta alternativa é convencer o governo do Paraná que não vale a pena investir na obra. “A nossa intenção principal é promover a possibilidade que a sociedade seja ouvida. Nesse sentido nós temos percebido essa abertura. Porém não vemos a intenção real do governo de atender essa demanda da sociedade de modo efetivo”, afirmou.

Por meio do site da campanha, a sociedade também pode enviar mensagens ao poder público, pedindo que alternativas de desenvolvimento para o litoral sejam consideradas pelo governo do Paraná. Segundo o Observatório de Justiça e Conservação, mais de 212 mil e-mails já foram enviados.

Conforme a Secretaria de Infraestrutura e Logística, os aspectos socioambientais da “Faixa de Infraestrutura” estão sendo estudados pelo Governo do Paraná.

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