Promoção de vassouras com cunho racista causa revolta no PR

Uma pilha de vassouras vermelhas de cerdas pretas acompanhadas de uma boneca representando uma mulher negra, com cabelos..

Fernando Garcel - 15 de fevereiro de 2019, 15:12

Uma pilha de vassouras vermelhas de cerdas pretas acompanhadas de uma boneca representando uma mulher negra, com cabelos crespos, vestida de vermelho, chamaram a atenção em um supermercado da Rede Condor em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, nesta semana.

A foto foi compartilhada nesta quarta-feira (13) no perfil pessoal da jornalista Cíntia Velasco Capri, no Facebook, e já conta com mais de 8 mil reações, 2,7 mil comentários e outras centenas de compartilhamentos. "Minha publicação virou um show de horror", narra Cíntia sobre os comentários que diminuem e ironizam a situação flagrante de racismo e machismo.

Em nota de repúdio, o Movimento das Mulheres Negras de Ponta Grossa (Moolaadé) aponta que o estabelecimento construiu a representação da mulher negra com os "mais repulsivos estereótipos, que partem da sexualização do corpo, chega ao cabelo 'de vassoura', caminha pelo lugar de serviçal até chegar à 'nega maluca'". O documento também é assinado pelo Instituto Sorriso Negro.

"A imagem do negro e negra segue estereotipada e estigmatizada desde o século XIX em nossa sociedade. A sociedade não consegue se desprender da imagem da(o) negra (o) enquanto servil, mesmo depois da(o) negra(o) liberta(o)", frisa o documento.

Na nota, os movimentos também citam a pesquisa de Representação de Negros e Negras na Publicidade de Catálogos de Lojas, de 2011, que apresentam que negros e negras aparecem, principalmente, em papéis estereotipados do período escravocrata como trabalhadores braçais, na hipersexualização da mulher, como carente social e em campanhas de doenças sexualmente transmissíveis.

Confira a nota na íntegra:

O outro lado

O Paraná Portal entrou com contato com a assessoria de imprensa da Rede Condor, que fica em Curitiba. Confira a nota na integra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Curitiba, 15 de fevereiro de 2019

O Condor Super Center afirma que nestes 45 anos de história sempre primou por atender aos clientes da melhor maneira possível, sempre pautado pela ética e no respeito pela diversidade.

Com relação ao merchandising feito por um funcionário de uma empresa terceirizada, a rede destaca que retirou o material prontamente. Também foi conversado com o profissional, que se desculpou e deixou claro que jamais faria algo racista.

Sendo assim, a rede destaca que não compactua com nenhum tipo de preconceito, que continuará trabalhando a favor da diversidade dentro de suas lojas e que as diferenças, sejam elas qual forem, devem ser respeitadas.

Condor Super Center