Homem que matou agente de trânsito é condenado a 18 anos de prisão

Redação e Cleverson Bravo - BandNews FM Curitiba


O homem acusado de matar um agente de trânsito da Urbs foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio duplamente qualificado. A sentença foi proferida nesta terça-feira (26), no Tribunal do Júri, em Curitiba. O crime aconteceu em agosto de 2014, o servidor Reynaldo Lopes tinha 54 anos e trabalhava há mais de duas décadas na URBS, ele foi morto com quatro tiros quando atendia uma ocorrência, sozinho, depois das nove da noite, na CIC.

Segundo o delegado que investigou o caso Danilo Zarlenga, antes do crime, a vítima teria discutido com populares. Apesar de ter confirmado que a discussão foi causada pelas multas aplicadas, a polícia afirmou que o acusado não tinha sido um dos autuados.

Para o advogado da família do agente de trânsito, Antônio Carlos Cordeiro, o réu era um criminoso que causava receio nas possíveis testemunhas. “Já esperava a negativa porque ele nos depoimentos, sempre negava e nem assumia a própria alcunha que ele tinha. Até achei que ele iria justificar sobre a arma, mas até isso ele negou. A gente até esperava essa negativa, e sabíamos que a defesa ia explorar isso, que ninguém tinha visto ele atirando. Não é que ninguém tenha visto, ninguém teve a coragem de vir confirmar, porque as pessoas ficaram com receio. Porque não era um réu qualquer, era um réu com vários homicídios nas costas conhecidos, imagina os desconhecidos”, afirmou.

Há época, ele tinha 29 anos e, na data da ocorrência, era foragido da justiça — o homem contava com dois mandados de prisão em aberto por homicídio e passagens pela polícia por tráfico de drogas e porte de armas. A defesa da família aguarda a publicação da sentença para definir se vai recorrer para o aumento da pena ou não.

“Eu estimava uma pena de 17 a 20 anos pelos requintes de crueldade que aconteceu esse homicídio, que foi injusto e cruel. E por nada, porque ele achou que o pai tinha sido multado e nem isso aconteceu. Jamais justificaria uma agressão desse tamanho, desse porte. Nós temos que acreditar na Justiça. Não é a pena ser alta que impede o delinquente de delinquir, mas sim a certeza de ele ser punido”, destacou.

O Ministério Público também pode recorrer da sentença. Nesse caso, existe a possibilidade de a assistência da acusação complementar as razões para aumentar a pena. O filho do agente de trânsito, Reynaldo Lopes Júnior, destaca que a sensação da família é de alívio. “Pelo tempo que a gente vem correndo atrás disso, foram quase cinco anos lutando e a família sofrendo com isso tudo. Fora os três anos que ele ficou foragido, depois pegaram ele. Então pra nós é um alívio, é uma porta que a gente fecha”, disse.

O sindicato que representa a categoria alega que, naquela oportunidade, estava em vigor o Acordo Coletivo de Trabalho prevendo que nenhum agente poderia trabalhar sozinho após as oito e meia da noite. O filho lembra que o pai estava planejando a aposentadoria. “Em 2014 quando eu estive aqui, eu tinha acabado de chegar de uma missão no Haiti e vim pra cá de férias e foi a última vez que eu estive com ele. Me lembro no dia em que eu estava voltando pro Rio, meu pai falou: filho relaxa, que daqui a cinco anos eu me aposento, vou pro Rio e compro uma casinha pra gente ficar perto. Infelizmente não aconteceu”, lembrou.

Durante o inquérito do caso, o então diretor de fiscalização da Secretaria de Trânsito, Éder Rodrigues, afirmou que um caso de extrema violência como este era inédito. O Acordo Coletivo da URBS ainda estabelecia o direito à recusa de trabalho quando as condições oferecessem risco.

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