Hospital alerta para os riscos da ‘glamorização’ de partos feitos em casa

Fernando Garcel


No último mês, a ex-BBB e empresária Mayra Cardi, 34, teve complicações ao tentar o parto humanizado em casa e teve que ser encaminhada às pressas para o hospital. Toda a gravidez foi compartilhada com seus seguidores e, em entrevista à revista QUEM, ela declarou que pretendia transmitir o parto pelo seu Instagram. Diante da situação, os médicos do Comitê Parto Adequado do Hospital e Maternidade Santa Brígida, de Curitiba, se pronunciaram a respeito do incidente e alertam para os perigos do parto caseiro.

Segundo o Comitê, o parto humanizado deve ser realizado em um hospital, local mais adequado e seguro para mãe e para o bebê. “As complicações ocorrem em cerca de 10% dos casos. Entre eles estão: sangramento, elevação da pressão arterial materna, sofrimento fetal agudo e prolapso do cordão umbilical. Estas situações necessitam de atendimento médico imediato e local para tratamento apropriado da mãe e do bebê”, explica a médica obstétrica Dra. Dani WerKa.

O tempo de locomoção até o hospital também é um fator de risco. “As complicações hemorrágicas que podem ocorrer após o nascimento, associadas à falta de um acesso imediato a um hospital pode ser fatal para a mãe, assim como a impossibilidade de realização de uma cesárea de emergência. Caso seja necessária, pode colocar em risco também a saúde do feto“, afirma a coordenadora do programa Parto Adequado do Santa Brígida, Vivian Crudo.

Sentindo contrações desde a noite de sexta (19), Mayra Cardi tentou o parto em casa, mas a bolsa estourou e a criança não chegava à posição correta. Após horas de espera em casa, a empresária teve de ir a um hospital induzir o parto. Sophia Cardi nasceu no dia 21 de outubro com 3.200 kg e 48,5 cm. “Choramos, sofremos, amamos, nos entregamos até entender que humanizado deve ser até onde é seguro, saudável e possível”, disse ela à agência Folhapress.

 

 

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O menino mais ousado, o homem mais forte, os pedidos mais difíceis, os sonhos mais belos e mais complicados de se realizar “para mim” mulher tão dura, menina tao menino, guerreira tão armada, teimosa, cheia de mandar, querer fazer e ser como eu quero.Hoje meu post é dele, @arthuraguiar hoje meu tempo é dele, minha filha, minhas horas, meu dia, minha vida é dele .Que veio bagunçou a porra toda, deu novas ordens trocou as minhas e ainda me fez acreditar que eu que as inventei. Sorte a minha pois você é o melhor marido do mundo , meu companheiro meu sonhador, você é diferente muito diferente de tudo que pensei de tudo que existe de tudo até que sonhei, e cada dia que te conheço de verdade mesmo Sendo tão oposto, tão desafiador eu te amo mais, te admiro mais e então desejo ser a nova melhor versão de mim. / Fotos @amandavargas.fotofilme

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O Hospital e Maternidade Santa Brígida é a instituição que tem o maior índice de nascimentos na rede de saúde particular paranaense e uma das únicas que já contam com acomodações especiais para a realização de partos adequados. As adequações no hospital foram realizadas após orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) feitas no começo deste ano com o objetivo de diminuir nascimentos por via cirúrgica para o patamar de 15% do total. No Brasil 55% dos nascimentos acontecem via cesariana no SUS, sendo 84% na saúde privada.

“A procura crescente pelo parto humanizado é uma realidade. Contudo, muitas seguem modismos ditados por famosos e querem fazer os partos em casa também. Mas é preciso que todos saibam de seus riscos para evitar fatalidades”, conclui Crudo.

Um estudo realizado em dezembro de 2015, publicado pelo New England Journal Medicine, concluiu que a chance dos bebês nascidos por parto domiciliar falecerem é de 2,4 vezes maior comparado com aqueles que nascem dentro do ambiente hospitalar. Ainda conforme a pesquisa, nos cerca de 1.000 partos planejados que ocorrem fora do hospital, 3,9 das crianças morrem no parto ou no primeiro mês de vida. Já dentro dos hospitais, esse percentual cai para 1,8 a cada 1.000 nascidos.

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