Idoso tem fratura exposta depois de conflito por multa de R$ 7 no Paraná

Victor Raimundi

paraná idoso

Um idoso de 64 anos está hospitalizado no Hospital Metropolitano de Sarandi, no norte do Paraná, após passar por cirurgia na noite da terça-feira (22), devido à um conflito com funcionários do EstaR – Maringá (concessão do estacionamento rotativo da cidade), na tarde do mesmo dia.

Gilmar Tadeo Trevisan, agricultor de 64 anos, alega ter sofrido agressão por parte dos funcionários do serviço, devido a uma discussão referente ao cancelamento de uma multa. Segundo Trevisan, dentre outras agressões, um agente de trânsito chutou seu tornozelo e causou a fratura exposta, o que exigiu o procedimento cirúrgico.

Uma notificação no valor de R$ 7 reais foi o início de toda a situação. Ao notar o aviso no carro, o idoso recorreu a um agente do EstaR para se explicar e buscar mais informações. A partir daí, de acordo com o agricultor, os problemas começaram.

“Marquei no relógio do meu carro, quando cheguei em frente ao banco às 13h10 e saí de lá às 13h e trinta e poucos minutos. Deu 24 minutos. Eu faço as coisas certinho, tudo cronometrado para não dar problema”, pontuou Gilmar.

O idoso destacou também que se prontificou a pagar o valor, mesmo não concordando com a cobrança e que o deslocamento à sede do EstaR, para cancelar a multa, foi uma orientação do próprio agente da empresa.

“Eu ia pagar a multa, mas o funcionário falou que não precisava. Que por ser só 4 minutos, seria possível cancelar a multa na central do EstaR. Era próximo de onde estava, cheguei lá convicto de que cancelaria a multa, por ter seguido orientação deles. Mas me disseram que eles não cancelariam a multa, que tinha que pagar ou fazer recurso. Eu disse que eram apenas 7 reais, que iria pagar, mas tinham me orientado a vir aqui [sede do estar]. Disse que estavam me fazendo de bobo. ”

As respostas desencadearam o desentendimento entre as Gilmar e os funcionários no local. Um dos trabalhadores conseguiu gravar de um celular o ocorrido:

O idoso afirma somente ter levantado a mão apenas para impedir sua filmagem, e que as agressões se iniciaram naquele momento.

“Eu falei que ele não iria me filmar. Aí ele já me agrediu com um soco, tentaram segurar ele, mas ele pulou e me agrediu de novo. O gerente chamou o agente de trânsito. Um rapaz alto, forte. Me deu uma gravata, me jogou no chão, chutou e “bagaçou” minha perna, o termo é esse, “bagaçou” meu tornozelo”, relatou.

“Veio um exército de ‘amarelo’ e de outros sem uniforme para me pegar. Rapidamente me pegaram do chão e me esconderam em uma sala lá no fundo, porque tinha muita gente vindo de fora e estavam com medo de filmagem. Começaram a me interrogar, disseram que eu excedi 4 minutos, que eu estava errado, que eu estava alterado”, complementou. Trevisan alega ter problemas auditivos como justificativa pela sua fala mais alta.

O OUTRO LADO

A prefeitura de Maringá se manifestou sobre o fato através de uma nota da Secretaria de Mobilidade Urbana. No texto, o município apresenta versões diferentes dos fatos divulgados por Gilmar. De acordo com o comunicado, o idoso havia realmente excedido o horário de tolerância, 30 minutos, e já havia direcionado sua reclamação ao orientador de estacionamento EstaR pedindo o cancelamento da multa.

“O proprietário do veículo, G.T.T, chegou e contestou o procedimento, insistindo para que o auto de infração fosse cancelado. O orientador recursou, argumentando que isso não seria possível, e recomendou que procurasse a central do Estar, localizada a poucos metros do local, para fazer a regularização (R$ 7,00) ou preencher requerimento para recorrer do procedimento.”

Ex-advogado, contador e auditor, Gilmar Trevisan anunciou que já está preparando os processos em âmbito cível e criminal contra o município e contra os funcionários envolvidos nos eventos.

Confira, na íntegra, a resposta da Prefeitura de Maringá:

Às 13h02 desta terça, 22, orientador do estacionamento regulamentado (Estar) registrou presença de veículo Toyota, modelo Bandeirantes, em vaga localizada na esquina da avenida Getúlio Vargas com Neo Martins. Retornou ao local às 13h34, portanto, mais de 30 minutos da tolerância aceita no sistema, e lavrou auto de infração.

Neste momento, o proprietário do veículo, G.T.T, chegou e contestou o procedimento, insistindo para que o auto de infração fosse cancelado. O orientador recursou, argumentando que isso não seria possível, e recomendou que procurasse a central do Estar, localizada a poucos metros do local, para fazer a regularização (R$ 7,00) ou preencher requerimento para recorrer do procedimento. Negou-se, insistindo no cancelamento do auto de infração, mas acabou se deslocando até a central.

Nervoso, manteve a atitude confrontosa e desafiadora. Ao observar que estava sendo filmado pelo orientador Fábio Rogério Onishi, o agrediu. Ao tentar contê-lo, o chefe de serviço, Marcelo Oliveira David, foi chutado, momento em que G.T.T se feriu na perna.

Contido, foi levado para a sala da gerente do Estar, Janaína Ferreira, que acionou o Samu para atendimento médico. Também foram acionadas a Polícia Militar e a Guarda Municipal para registrar a ocorrência. Servidores envolvidos no incidente também registraram boletim de ocorrência e, na manhã desta quarta, 23, realizaram exame de corpo delito.”

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