Idosos são vítimas de golpes no Paraná; saiba como prevenir

Francielly Azevedo


Momentos de desespero: foi o que viveu a aposentada Lucia Helena Araújo, de 68 anos. Há três anos ela caiu no golpe do falso sequestro. Bandidos ligaram durante a madrugada dizendo que estavam com a filha da idosa e exigiam dinheiro como pagamento de resgate.

“Eles disseram que estavam com a minha filha refém e que eu tinha que depositar um dinheiro pra eles na conta que eles iam passar. Eu escutava gritos de mulher gritando e eu achava que era minha filha”, contou.

Lucia disse aos supostos sequestradores que não tinha dinheiro. Eles então mandaram que ela pegasse as joias que tinha em casa e fosse até uma casa de penhor. A aposentada lembra que a manipulação psicológica foi tanta que ela não pensou duas vezes, fez tudo o que os bandidos pediam.

“É incrível a manipulação psicológica, porque na minha cabeça era a voz da minha filha gritando, pedindo pra eu fazer tudo o que eles mandassem”, lembrou.

Lucia penhorou as joias, colocou crédito em celulares e depositou quase seis mil reais. Ela ficou das 5h até 16h nas mãos dos bandidos. “Eu fui pro cemitério do Água Verde, eles disseram que minha filha estava lá dentro do cemitério. E eu disse ao guardião: eu vim buscar minha filha, ela foi sequestrada. E ele me respondeu: minha senhora, a senhora está muito abalada, vá para a primeira delegacia, porque a senhora caiu no conto do vigário”, detalhou.

A ligação vinha de dentro de um presídio no Rio de Janeiro. A filha de Lúcia estava sã e salva em casa e nunca chegou a ser sequestrada. “Fiquei tão abismada depois, fiquei com raiva de mim mesma, eu falava pra todo mundo que eu encontrava que eu tinha caído no golpe”, disse.

A coordenadora da Política da Pessoa Idosa, da Secretaria da Família, Fabiana Longhi Franz, diz que os idosos são os mais vulneráveis para caírem em crimes desse tipo. Além do falso sequestro, outros golpes são comuns: ajuda para resgatar um bilhete premiado, suporte no caixa eletrônico, empréstimo consignado, são alguns dos exemplos.

“Pessoas idosas acabam se tornando um alvo vulnerável, porque muitas delas tem mais carência de conversar com as pessoas. Depois de um tempo elas passam a ter dependência de outras pessoas em relação a tecnologia”, explicou.

Desde 2016, a legislação prevê punições mais severas para quem aplicar golpes em idosos. A pena, agora, vai de dois a dez anos de prisão quando a prática do estelionato for direcionada a pessoas com mais de 60 anos. Fabiana dá dicas para evitar ser uma vítima.

“Nunca aceitar a proposta de um prêmio milagrosos, oferta de ganho fácil de dinheiro. Tomar cuidado com informações pessoais, nunca assinar papel em branco. Ao andar sozinho na rua nunca ostentar joias, os homens tomarem cuidado com a carteira no bolso de trás da calça”, orientou.

A Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social promove nesta terça-feira (24), das 14h às 16h, uma webconferência sobre o assunto, para dar orientações para evitar os golpes. É possível acompanhar no link. Quem for vítima também pode ligar para o telefone 181.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.