Instituições federais de ensino superior do Paraná participam de paralisação nacional

Lenise Aubrift Klenk - BandNews FM Curitiba

Estudantes, professores, servidores e apoiadores de instituições federais de ensino superior do Paraná participam nesta quarta-feira (15) do dia de paralisação nacional pela educação. Os protestos são uma reação ao corte de 30% das verbas de custeio promovido pelo Ministério da Educação. Atos públicos ocorrem simultaneamente à sessão da Câmara Federal para a qual o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi convocado. Ele foi chamado para prestar esclarecimentos nesta quarta (15) sobre os bloqueios no orçamento do setor.

Como se trata de uma convocação, Weintraub é obrigado a comparecer à Câmara, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade na hipótese de ausência. A Universidade Federal do Paraná anunciou que o bloqueio de R$ 48 milhões compromete o funcionamento da instituição a partir do segundo semestre. Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a redução é de R$ 37 milhões.

O Instituto Federal do Paraná (IFPR) teve um corte de R$ 20,8 milhões e Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), de R$ 14,2 milhões. No total, a redução de verbas para o Paraná passa chega a R$ 120 milhões.

O Ministério da Educação (MEC) já fez bloqueios de R$ 5,7 bilhões, o que representa cerca de 23% do orçamento discricionário, ou seja, não obrigatório, cortando verbas direcionadas a todas as etapas da educação, incluindo a Educação Básica. Nesta semana, reitores das instituições federais pediram apoio dos senadores e deputados federais paranaenses para reverter a decisão do governo federal.


Nesta terça-feira (14), véspera da mobilização, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou com deputados, em reunião fora da agenda oficial, antes de viagem para os Estados Unidos. O líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir, disse ao Portal UOL que, durante o encontro, o presidente ligou para o ministro Abraham Weintraub pedindo para que os cortes fossem revistos. Segundo a reportagem, a Casa Civil respondeu que não procedia a informação sobre qualquer recuo no contingenciamento de recursos no MEC.

O próprio Ministério da Educação divulgou nota para esclarecer que a suspensão dos cortes não procede. Após o desmentido do governo, o reitor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Marcelo Fonseca, divulgou um áudio em que reforça que a mobilização deve seguir conforme a previsão inicial.

“Eu acho que um anuncio desses, um dia antes da mobilização nacional não pode desmobilizar absolutamente ninguém. Acho que todos devemos ficar como estamos até cada tostão da cota única volte para a universidade e eu aviso todo mundo quando voltar”, garante Fonseca.

Nesta quarta-feira (15), eles promovem uma manifestação unificada. Em Curitiba, a mobilização começa às 8h30 e vai até as 17h, na Praça Santos Andrade, no Centro. Representantes de instituições representativas de classes, movimentos sociais e da comunidade acadêmica devem participar do ato público nas escadarias do prédio histórico da UFPR. Em Pontal do Paraná, estudantes, professores e servidores promovem duas passeatas. Uma delas, às 9h, desde o campus da UFPR no Balneário Mirassol até a Prefeitura de Pontal do Paraná. A outra, às 17h, desde a Unidade Pontal do Sul até a Câmara de Vereadores.

A mobilização prossegue no resto da semana. Na quinta-feira (16), grupos artísticos da UFPR estarão nas ruas de Curitiba. Estão previstas apresentações da Orquestra da Universidade, Grupo de MPB, Grupo de Choro, cantos de música antiga, Téssera Companhia de Dança, Companhia de Teatro e Coro.

O movimento “UFPR + Cultura na rua” também prevê aulas e intervenções públicas e a exposição “Arte e Pesquisa”, no Museu de Arte da UFPR. A semana se encerra com um grande ato pela educação na escadaria do Prédio Histórico da UFPR, na sexta-feira (17), entre 11h e 13h.

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