Irmã narra relacionamento abusivo de Tatiane e Luís Felipe Manvailer

William Bittar - CBN Curitiba


Um amor meteórico que terminou de forma trágica. Tatiane Spitzner, de 29 anos, morreu na madrugada do dia 22 de julho, ao cair do quarto andar do prédio onde morava com o marido Luís Felipe Manvailer, acusado de ser o autor do crime, no Centro de Guarapuava, na região central do Paraná. A irmã de Tatiane, Luana Spitzner, conversou com a CBN Curitiba e deu detalhes da rotina da advogada, desde quando ela conheceu Manvailer até minutos antes da morte.

Os dois se conheceram e casaram ainda em 2013 e os primeiros sinais de comportamento mais agressivo do professor contra a advogada, foram presenciados pela irmã de Tatiane, no início de 2016, quando ela passou um período na casa onde o casal morava, na Alemanha, onde Manvailer fazia doutorado.

Com o passar do tempo, a forma grosseira dele com a esposa foi aumentando e tudo ficou ainda mais evidenciado no início desse ano. Até então, a família de Tatiane não tinha nenhuma ideia de que Manvailer poderia transformar as agressões psicológicas em agressões físicas, como as registradas pelas câmeras de segurança, minutos antes da advogada ser encontrada morta.

Luana estava na mesma festa em que o casal estava na noite que antecedeu a morte de Tatiane. À CBN Curitiba, a irmã mais nova da advogada, contou que o professor não conversou com a esposa durante toda a festa. Enquanto ela se divertia com os amigos, ele ficava isolado, apenas mexendo no celular. Um amigo ainda o tentou levar para perto da advogada, mas ele se recusou, mesmo assim, os dois saíram juntos, entraram no carro e essa foi a última vez que Luana conversou com a irmã.

Apesar de saber da forma mais ríspida como Manvailer tratava Tatiane, Luana disse não acreditar quando ficou sabendo da morte da irmã e que o marido era o principal suspeito.

A dor da perda, logo se transformou em força para que Luana, junto com algumas primas, criasse uma página em memória da advogada no Facebook e no Instagram. A irmã de Tatiane logo percebeu que o que acontecia com a irmã acontece em dezenas, centenas e até milhares de lares em todo o país.

Nesta segunda-feira (6), Luís Felipe Manvailer foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e condição do sexo feminino (feminicídio), além de cárcere privado e fraude processual. Ele segue detido na Penitenciária Industrial de Guarapuava.

Em nota, a defesa técnica do professor informou que mantém sua posição de permanecer no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima, no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado.

A defesa ainda reforçou que qualquer posicionamento sobre o caso, antes da apresentação de todos os laudos, é tratado como hipótese especulativa, baseada em fragmentos, que destoam de comprovação técnica científica.

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