Após justiçamento, irmãos são presos em flagrante por tortura no PR

Angelo Sfair

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Dois irmãos foram presos em flagrante por tortura, em Curitiba, após espancarem um suspeito de furto. A sessão de justiçamento começou após a dupla ver o homem tentando arrancar uma barra de alumínio do portão da casa onde moram, no bairro Fazendinha.

A prisão aconteceu nesta sexta-feira (27), após a PM-PR (Polícia Militar do Paraná) ser acionada por testemunhas da agressão. No local, os agentes se depararam com um homem no chão, bastante machucado e sangrando, sendo espancado por um grupo de pessoas.

Os dois irmãos, ambos com cerca de 40 anos, foram detidos. Aos policiais, eles alegaram que começaram a sessão de tortura porque a vítima havia tentando arrancar uma barra de alumínio do portão da casa deles. Os justiceiros devem passar por uma audiência de custódia no início da semana.

“A vítima é um usuário de drogas. Ele recolhe latinhas e outros materiais de alumínio para vender. É um jovem que trabalha e tem residência fixa”, explicou o delegado Pedro Filipe Cruz de Andrade, em entrevista ao Paraná Portal.

O jovem tem cerca de 25 anos. Ele foi levado ao Hospital do Trabalhador e precisou levar pontos na cabeça para estancar o sangramento. A vítima também precisou de curativos para escoriações nos braços e nas pernas.

IRMÃOS JUSTICEIROS VÃO RESPONDER POR TORTURA

Os dois irmãos justiceiros foram presos em flagrante por tortura, no bairro Fazendinha, em Curitiba. Eles devem permanecer detidos pelo menos até a audiência de custódia, que deve ser marcada a partir da próxima semana.

Além do possível indiciamento por tortura, um dos irmãos detidos deve começar a cumprir pena pelo crime de falsificação de moedas. O mandado de prisão contra ele estava aberto e foi descoberto durante o registro na delegacia da PC-PR (Polícia Civil do Paraná).

O delegado de plantão da Central de Flagrantes de Curitiba explicou que os irmãos não descumpriram a lei quando detiveram o suspeito. O CPP (Código de Processo Penal) permite a qualquer cidadão capturar pessoas em flagrante delito.

“O que não pode é o ‘justiçamento’. Isso configura tortura. A captura é permitida, mas depois é preciso chamar a Polícia Militar ou fazer o encaminhamento para a delegacia”, pontou o delegado Pedro Filipe Cruz de Andrade, em entrevista ao Paraná Portal.

Os irmãos serão indiciados por tortura, que prevê penas de dois a oito anos de prisão. A vítima do espancamento foi liberada após deixar o hospital. Foi aplicado o princípio da insignificância porque a barra de alumínio alvo do furto foi avaliada em menos de R$ 100,00.

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