Juíza encaminha para Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná processo sobre mortes de sem-terra

Narley Resende - BandNews FM Curitiba


A juíza Fernanda Orsomarzo, titular da Vara Criminal  de Quedas de Iguaçu, determinou ontem (21) que a investigação da morte de dois integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em 2016, seja encaminhada à Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná. Ela discorda de um pedido da promotoria da cidade, no Sudoeste do Paraná, que tentava arquivar as investigações.

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Vilmar Bordin, de 44 anos, e Leonir Orback, de 25, foram mortos por policiais militares, em local próximo ao acampamento Dom Thomás Balduino. Em abril de 2016, acompanhados de seguranças armados da empresa Araupel, os PMs se depararam com integrantes do MST e dispararam dezenas de tiros, matando os dois homens e ferindo ao menos sete pessoas.

O caso é investigado pelas polícias Federal, Civil e Militar e por um grupo de promotores do Ministério Público. Escutas telefônicas integram o inquérito. Em dezembro do ano passado, a promotoria local pediu o arquivamento das investigações contra os PMs suspeitos de homicídio. A juíza Fernanda Orsomarzo não aceitou os pedidos e também suspendeu denúncia contra quatro integrantes do grupo dos sem-terra, acusados pela promotoria de resistência qualificada. Esse processo ficará suspenso até que todos os fatos sejam esclarecidos.

Para a juíza, os depoimentos dos envolvidos são contraditórios e deixam ainda muitas dúvidas sobre o que os policiais foram fazer na área e de quem foi a ordem que motivou a ação policial em conjunto com seguranças privados. Na época, os policiais alegaram que foram acionados em razão de um suposto incêndio criminoso em uma da fazenda da região.

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No caminho, os policias se depararam com os agricultores que estariam armados. A alegação é de que houve troca de tiros. Armas foram apreendidas. Tanto a polícia quanto o MST dizem que foram vítimas de emboscada. Nenhum policial ficou ferido. O MST rechaça a declaração da PM de que os sem-terra armaram uma emboscada para os policiais.

Segundo o movimento, uma das vítimas foi baleada nas costas, o que provaria que não houve confronto. O conflito de sem-terra com a empresa Araupel envolve três fazendas na região. Em sentença, a Justiça Federal declarou no ano passado que a área da Fazenda Rio das Cobras, onde está o acampamento Dom Tomás Balduíno, pertence à União. A Araupel recorreu da sentença que anulou os títulos de posse da empresa.

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