Julgamento de recurso que pode aumentar pena de policial acusada da morte de copeira é adiado

BandNews FM Curitiba



Foi adiado para a próxima quinta-feira (26) o julgamento de recursos impetrados pela defesa e pela acusação da policial civil Katia das Graças Belo. Ela é acusada de matar a copeira Rosaira Miranda da Silva em uma festa de confraternização, em dezembro de 2016. A audiência foi adiada porque o advogado de defesa da investigadora apresentou um atestado de conjuntivite.

Entre os recursos que serão analisados está o do Ministério Público e o da defesa da policial civil. O MP quer que as qualificadoras do crime sejam reincluídas na acusação de homicídio a que responde a policial. As qualificadoras foram retiradas da acusação durante a primeira fase do processo.

A promotoria pede que Katia seja condenada por homicídio doloso, triplamente qualificado por motivo fútil, perigo comum e impossibilidade de defesa da vítima, com pena mínima de 12 anos de prisão. O assistente de acusação do MP e advogado que representa a família, Edson Facchi, acredita que, diante das condições em que atirou na copeira, a policial assumiu o risco de matar.

“Isso que a prova dos autos demonstra, que ela tinha uma amplitude de visão para atirar para baixo, por exemplo, e não reto na direção da festa. Caiu por terra todo o discurso de culposo e assumindo o risco de assumir o resultado não é compatível com as qualificadoras postas na denúncia”, afirmou.

Já o advogado de defesa de Katia Belo, Peter Amaro de Sousa, entende que a investigadora tem que responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A pena para o crime é de três anos de prisão.

“Se ela tivesse um fuzil com mira a laser e tripé, ela não acertaria. Foi uma fatalidade. Quem teria que estar no banco dos réus seriam o delegado-geral e o secretário de segurança. Nossos policiais são jogado às traças. Tem pistola que dispara sozinha, colete que não protege. Existe uma lei que diz que os policiais civis deveriam passar por uma avaliação psicológica pelo menos uma vez ao ano, o que não acontece. Nossos policiais estão a beira de um colapso nervoso”, alegou.

De acordo com o advogado, atualmente Katia trabalha no setor administrativo da Polícia Civil e, recentemente, passou por uma avaliação psicológica

“Ela está fazendo tratamento psicológico e passou por uma perícia do Instituto Médico Legal que mostrou que ela realmente tem a síndrome burnout, típica de pessoas que vivem sob estresse. Ela está sob tratamento e trabalhando na área administrativa”, disse.

A copeira Rosaira da Silva tinha 45 anos e foi atingida por um tiro na nuca enquanto participava de uma confraternização de fim de ano da empresa em que trabalhava. Ela chegou a ser socorrida, mas teve morte cerebral decretada após uma semana.

O disparo foi feito pela investigadora Katia das Graças Belo, que atirou da janela de casa porque se irritou com o barulho da festa. A família da vítima esteve ontem (19) no Tribunal de Justiça com faixas de protesto. Para o marido de Rosaira, Francisco Feliciano Leite, a esperança é de que a policial civil seja condenada pelo crime.

“Temos que ter esperança e fé, se não tiver, o que será de nós? Se ela não for presa o que será de nós? Como uma policial continuar impune, gozando da nossa cara e nós sofrendo, meu filho tendo que trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Ela não matou nenhuma bandida, matou uma mãe exemplar que saiu às 5h30 para trabalhar e nunca mais voltou, morreu nos meus braços”, lamentou.

Em julho do ano passado, o juiz Daniel de Avelar confirmou que há indícios de autoria e materialidade para que a Katia Belo seja levada a júri popular. O caso só terá andamento no Tribunal de Justiça caso nenhuma das partes recorra após a definição sobre o enquadramento do crime cometido pela policial.

 

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