Testemunhas de acusação e defesa são ouvidas no 1.º dia do júri de grupo neonazista

Lenise Aubrift Klenk - BandNews FM Curitiba e Ricardo Pereira - BandNews FM Curitiba

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Todas as testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas no primeiro dia de julgamento de acusados de participar de um grupo neonazista que teria sido o responsável por um crime cometido em Curitiba em setembro de 2005, há quase 14 anos. O caso é avaliado pelo Tribunal do Júri.

Os sete réus foram a júri popular por participação no espancamento de duas pessoas, uma delas por ser negra e outra, homossexual. As vítimas não se conheciam e as agressões ocorreram em um intervalo de aproximadamente duas horas de diferença, na Praça Osório, no Centro de Curitiba.

Os réus respondem por crimes como racismo, associação criminosa e apologia ao nazismo, sendo três deles também acusados de tentativa de homicídio. Uma oitava acusada teve o julgamento adiado depois de uma liminar. Mais dois réus já foram julgados e condenados, mas parte dos crimes prescreveu.

Vítimas

Uma das vítimas, Renan Lopes Lúcio, sobreviveu, mas foi assassinado cerca de um ano depois, em circunstâncias que não têm relação com o crime praticado pelo grupo neonazista.

A outra vítima é William César Martins Cardoso, na época com 19 e hoje com 33 anos. Ele saía de uma festa, quando foi surpreendido pelo grupo, que o agrediu com socos e chutes. Cardoso foi ferido por uma facada na barriga e teve o intestino perfurado. Ele acompanha todo o julgamento e diz que tem revivido o dia do crime, que deixou sequelas.

“Eu não sei de onde eu tirei forças. Na hora que me deram a facada eu empurrei dois deles e saí correndo por cerca de 200 ou 250 metros até chegar ao módulo da Polícia Militar na Praça Osório. Foi onde eu pedi ajuda e fui socorrido pela própria viatura”, relata.

“Havia cinco homens e uma mulher”, completa, apontando os agressores do grupo neonazista.

O caso vem sendo acompanhado desde 2005 pelo Grupo Dignidade, organização de defesa da comunidade LGBT. O coordenador de atendimento jurídico do grupo, advogado Marcel Jerônymo, diz que o caso é emblemático e o que se espera é um julgamento rigoroso pelo Tribunal do Júri.

“O Grupo Dignidade espera que haja um julgamento exemplar. A sociedade não tolera mais isso. Nós vivemos numa sociedade que preza, principalmente, pela Justiça. Não queremos nenhum tipo de impunidade e é isso que a gente espera: que esse julgamento não deixa ninguém impune”, comenta Jerônymo.

“A Justiça exemplar serve exatamente para que fatos como esse não se repitam”, finaliza.

Julgamento do grupo neonazista

Dois dias foram reservados para o julgamento no Tribunal do Júri. Assim que as todas as testemunhas foram ouvidas, o juiz Thiago Flôres Carvalho, iniciou o interrogatório dos réus. É provável que fique para esta sexta-feira (2) o debate entre a acusação, conduzida pelo promotor Lucas Leonardi, e os advogados dos acusados.

No primeiro dia de julgamento, as defesas tentaram desqualificar as vítimas, colocando em dúvida a conduta dos dois homens agredidos. Também apresentaram testemunhas abonatórias para negar que os réus sejam preconceituosos ou seguidores da ideologia nazista ou neonazista.

Os advogados ainda colocam em dúvida a o processo de investigação policial, que na época foi conduzido pelo COPE (Centro de Operações Policiais Especiais).

Os réus são Raul Astutte Filho, Anderson Marondes de Souza e André Lipnharski, acusados tentativa de homicídio. Eles também respondem por outros crimes, ao lado de Bruno Paese Fadel, Drahomiro Michel Carvalho, Estela Herman Heise e Fernanda Kelly Sens.

O julgamento de Edwiges Francis Barroso foi adiado.

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