Julgamento de acusados de participar de grupo neonazista entra no segundo dia

Francielly Azevedo, Lenise Aubrift Klenk - BandNews FM Curitiba e Ricardo Pereira - BandNews FM Curitiba

tribunal juri feminicídio

O julgamento de sete pessoas acusadas de participar de um grupo neonazista foi retomado, por volta das 9h30, desta sexta-feira (2), no Tribunal do Júri, em Curitiba. Todos os réus respondem pelos crimes de racismo, apologia ao nazismo e associação criminosa. Além disso, três deles são acusados por tentativa de homicídio. Os crimes teriam ocorrido em 2005.

Todas as testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas no primeiro dia de julgamento. Ao todo, 13 pessoas foram ouvidas.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), no dia 18 de setembro de 2005, os integrantes do grupo participaram de um espancamento de duas pessoas (uma negra e outra homossexual) e espalharam nas rua de Curitiba cartazes ofensivos a pessoas negras, homossexuais e judeus.

Oito pessoas são rés no processo. No entanto, uma delas, Edwiges Francis Barroso, teve o julgamento adiado após uma liminar. Três dos envolvidos são acusados de agredir e tentar matar um negro e um homossexual em Curitiba.

Eles chegaram a ser presos, mas todos respondem o processo em liberdade.

PRIMEIRO DIA

No primeiro dia de julgamento, as defesas tentaram desqualificar as vítimas, colocando em dúvida a conduta dos dois homens agredidos. Também apresentaram testemunhas abonatórias para negar que os réus sejam preconceituosos ou seguidores da ideologia nazista ou neonazista.

Os advogados ainda colocam em dúvida a o processo de investigação policial, que na época foi conduzido pelo COPE (Centro de Operações Policiais Especiais).

Os réus são Raul Astutte Filho, Anderson Marondes de Souza e André Lipnharski, acusados tentativa de homicídio. Eles também respondem por outros crimes, ao lado de Bruno Paese Fadel, Drahomiro Michel Carvalho, Estela Herman Heise e Fernanda Kelly Sens.

VÍTIMAS

Uma das vítimas, Renan Lopes Lúcio, sobreviveu, mas foi assassinado cerca de um ano depois, em circunstâncias que não têm relação com o crime praticado pelo grupo neonazista.

A outra vítima é William César Martins Cardoso, na época com 19 e hoje com 33 anos. Ele saía de uma festa, quando foi surpreendido pelo grupo, que o agrediu com socos e chutes. Cardoso foi ferido por uma facada na barriga e teve o intestino perfurado. Ele acompanha todo o julgamento e diz que tem revivido o dia do crime, que deixou sequelas.

“Eu não sei de onde eu tirei forças. Na hora que me deram a facada eu empurrei dois deles e saí correndo por cerca de 200 ou 250 metros até chegar ao módulo da Polícia Militar na Praça Osório. Foi onde eu pedi ajuda e fui socorrido pela própria viatura”, relata.

“Havia cinco homens e uma mulher”, completa, apontando os agressores do grupo neonazista.

O caso vem sendo acompanhado desde 2005 pelo Grupo Dignidade, organização de defesa da comunidade LGBT. O coordenador de atendimento jurídico do grupo, advogado Marcel Jerônymo, diz que o caso é emblemático e o que se espera é um julgamento rigoroso pelo Tribunal do Júri.

“O Grupo Dignidade espera que haja um julgamento exemplar. A sociedade não tolera mais isso. Nós vivemos numa sociedade que preza, principalmente, pela Justiça. Não queremos nenhum tipo de impunidade e é isso que a gente espera: que esse julgamento não deixa ninguém impune”, comenta Jerônymo.

“A Justiça exemplar serve exatamente para que fatos como esse não se repitam”, finaliza.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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