Júri de acusados de matar torcedor entra no segundo dia

Francielly Azevedo


O júri dos três torcedores do Athletico, acusados de matar o torcedor do Paraná Clube, Diego Henrique Raab Gonciero, de 16 anos, foi retomado nesta sexta-feira (13), no Tribunal do Júri, em Curitiba. Ontem, no primeiro dia, a oitiva das testemunhas durou cerca de onze horas e meia. Respondem pelo crime Juliano Rodrigues, Fábio Marques e Gilson da Silva Teles, que na época eram ligados à torcida atleticana Os Fanáticos.

A previsão para essa sexta-feira é de que se ouça as últimas quatro testemunhas e se interrogue os três réus.

PRIMEIRO DIA

Ao todo, seis testemunhas foram ouvidas no primeiro dia. Das seis, ao menos quatro eram envolvidas diretamente com torcidas organizadas do Athletico e Paraná Clube. O destaque ficou com os depoimentos de Júlio Sobota, ex-presidente da Organizada Os Fanáticos, e João Quitéria, ex-vice-presidente da Organizada Fúria Independente.

O júri teve momentos de tensão. Em um deles, no final da noite de ontem, o advogado Cláudio Dalledone Júnior, que defende os três réus, chamou ao plenário do júri advogados da Comissão de Prerrogativas da OAB para acompanhar o julgamento. Dalledone teve a palavra cassada pelo juiz Tiago Flores durante a inquirição da testemunha João Quitéria, ex-vice-presidente da Fúria. A testemunha disse por diversas vezes em depoimento ser conhecedora de todos os fatos do processo, o inquérito e até mesmo das investigações que culminaram com a acusação dos três réus. Dalledone então indagou o réu: “ sendo o senhor conhecedor de todo esse processo, responda: quem Matou Diego?”

A testemunha evitou responder. Foi indagado mais vezes por Dalledone, o juiz interferiu, justificou tratar de pergunta repetitiva e cassou a palavra do defensor.

A sessão ficou suspensa por quase trinta minutos, o juiz Tiago Flores negou ter cercado o direito a defesa e disse ter interferido dentro do razoável ao momento.

O CASO

Diego foi morto em 2012, em frente à sede da organizada paranista Fúria Independente, ele era integrante da bateria da torcida.

Ele estava com outros torcedores paranistas, que participavam de um churrasco com torcedores do Sport de Recife. Um carro passou pela rua e efetuou vários disparos contra os integrantes das torcidas. Os atiradores fugiram. Um dos tiros acertou Diego.

Fabio Marques, Gilson da Silva Teles e Juliano Rodrigues são acusados de homicídio qualificado pela morte de Diego.

Segundo a Delegacia de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), o laudo do Instituto de Criminalística apontou que o disparo partiu de um revólver calibre 38 registrado em nome de Rodrigues. A defesa do acusado alega que a arma foi alvo de uma perícia suspeita um ano depois.

De acordo com o advogado, Claudio Dalledone, que defende os três réus, a acusação foi construída com base em falsas perícias.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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