Em decisão inédita, Júri condena homem a 20 anos de prisão por feminicídio

Angelo Sfair

juri tribunal feminicídio

Um homem foi condenado a 20 anos e seis meses de prisão por ter matado uma mulher depois de um episódio de impotência sexual. O feminicídio aconteceu no dia 15 de junho de 2017 em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

É a primeira vez que o Tribunal do Júri da capital paranaense condena um réu considerando que houve menosprezo à condição de mulher.

Romeo Francisco dos Santos Junior, de 34 anos, foi responsabilizado por feminicídio e ocultação de cadáver. O julgamento aconteceu na quinta-feira (30). Nesta terça-feira (04), a 2.ª Vara do Tribunal do Júri confirmou a prisão provisória do condenado.

O CASO

De acordo com a acusação, no dia do crime, o réu encontrou Sibele Aparecida Stori embriagada, na rua, e levou-a em seu carro. Depois de consumirem drogas, eles foram até um motel ‘drive-in’.

No entanto, Romeo não conseguiu ter uma ereção. O acusado matou a vítima por não ser capaz de manter a relação sexual, levou o corpo dela para uma região distante e colocou fogo na tentativa de eliminar as provas.

“Há indicativos de que o crime esteja relacionado com o menosprezo à condição de mulher da vítima, que, em tese, foi morta porque o réu se sentiu desafiado sobre sua masculinidade, quando teve ironizada a situação de impotência sexual na qual se encontrava”, diz um trecho da sentença expedida pelo Tribunal do Júri.

FEMINICÍDIO

Desde que a qualificadora ‘feminicídio’ foi incluído no Código Penal, em março de 2015, todos os réus julgados pelo Tribunal do Júri de Curitiba foram considerados culpados.

No entanto, está foi a primeira vez que os jurados entenderam que o crime foi cometida pelo menosprezo à condição da vítima ser mulher. Até então, todos os casos anteriores de feminicídio julgados pelo júri estavam relacionados à violência doméstica.

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