Caso Tatiane Spitzner: júri de Manvailer recomeça hoje em Guarapuava; saiba tudo

Redação

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O júri popular de Luis Felipe Manvailer está marcado para ser iniciado às 9h desta terça-feira (4). O biólogo, que é acusado de matar a então esposa Tatiane Spitzner no dia 22 de julho de 2018, em Guarapuava, na região central do Paraná.

Manvailer é acusado de homicídio qualificado e fraude processual, com qualificadora de feminicídio. A defesa nega e afirma que Tatiane Spitzner se suicidou.

O julgamento deve ser transmitido pelo canal do Youtube do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) após o encerramento da instrução probatória, em razão da necessidade de se preservar a incomunicabilidade das testemunhas.

ADIAMENTOS NO JULGAMENTO DE MANVAILER

O júri popular já foi adiado três vezes.

A primeira ocasião foi marcada por incompatibilidade de datas, já que os advogados de Manvailer tinham audiências de outros casos. O segundo adiamento aconteceu porque um dos advogados da defesa foi infectado com Covid-19. Já na terceira e última vez, no último dia 10 de fevereiro, os advogados de defesa abandonaram o tribunal.

A defesa de Manvailer quis apresentar vídeos da portaria do prédio onde o casal morava, materiais que não estavam nos autos. A situação gerou um desgaste no Fórum Desembargador Ernani Guarita Cartaxo e o juiz negou a inclusão dos registros nos autos.

O advogado Claudio Dalledone e sua equipe resolveram deixar o julgamento sob justificativa que tiveram o “trabalho cerceado”. A atitude resultou em aplicação de multa de 100 salários mínimos, mas a 1ª Câmara Criminal do TJ-PR retirou a punição sob entendimento que o material deveria ter tido autorização para ser utilizado.

Diante de tudo isso, o júri popular de Manvailer foi remarcado para essa terça-feira (4).

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Mainvailer e Tatiane juntos. (Reprodução/Facebook)

COMO É O JÚRI POPULAR

A expectativa é que o julgamento dure cerca de dois ou três dias. O júri é formado por sete jurados escolhidos por sorteio e vai ouvir 18 testemunhas – 12 da defesa e 10 da acusação. Três das testemunhas são convocadas pelos dois lados, assim como Luis Felipe Manvailer.

Depois das testemunhas, os advogados da acusação e de defesa fazem uma sustentação. Por fim, a votação do júri define a maioria pela condenação ou absolvição. Se Manvailer for considerado culpado, o juiz determina pena de acordo com o previsto pela lei.

O crime de homicídio qualificado tem pena de 12 a 30 anos, enquanto a fraude processual varia de seis meses a quatro anos. Ou seja, o biólogo pode ser condenado a mais de três décadas de prisão.

RELEMBRE A MORTE DE TATIANE SPITZNER: CASO CHOCOU O BRASIL EM 2018

A advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta após cair do 4° do apartamento do prédio onde morava com o marido, Luis Felipe Manvailer, no centro de Guarapuava. Na época, a polícia foi chamada por vizinhos porque “uma mulher teria saltado ou sido jogada”.

Chegando no local, os agentes encontraram sangue do lado de fora do prédio. Imediatamente, subiram até o apartamento onde o casal morava e encontraram a advogada já sem vida. Porém, seu marido não estava na residência.

Manvailer foi preso horas depois na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, na região oeste do Paraná, depois de se envolver em um acidente. Na época, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que o homem estava desnorteado.

IMAGENS, LAUDOS E RELAÇÃO ENTRE SPITZNER E MANVAILER

Segundo o laudo do IML (Instituto Médico Legal) de Guarapuava, Tatiane Spirtzner morreu por asfixia mecânica após esganadura. Já outros dois laudos da Polícia Científica apontaram que não houve impulso antes da queda da advogada e existia ranhuras semelhantes ao esmalte vermelho que Tatiane usava na borda da sacada do apartamento.

Parentes próximos de Tatiane Spitzner afirmaram que Tatiane Spitzner queria o divórcio de Luis Felipe Manvailer. O pai dela, Jorge Spitzner, relatou que presenciou atitudes agressivas do biólogo com a advogada. O MP (Ministério Público) aponta que o casal tinha um relacionamento abusivo.

Imagens de câmera de segurança do prédio em Guarapuava foram solicitadas para a investigação e revelaram que o acusado desferiu golpes contra a própria mulher ainda no carro, antes de entrarem no condomínio.

Outra imagem revela Manvailer limpando vestígios de sangue de Tatiane, no elevador, após recolher o corpo dela do lado de fora do prédio.

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