Justiça aceita denúncia e sete viram réus por envolvimento na morte de Daniel

Francielly Azevedo


A juíza Luciane Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, aceitou, no início da noite desta quarta-feira (28), a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra os sete envolvidos na morte do jogador Daniel Corrêa de Freitas, de 24 anos. Com isso, os acusados agora passam a condição de réus no processo.

“De fato, compulsando os presentes autos, em sede de ‘cognição sumária’ (não ‘exauriente’), concluo que a exordial acusatória deve, sim, ser recebida, autorizando-se, bem assim, o exercício da ‘ação penal pública’ por seu legítimo titular, o Ministério Público do Estado do Paraná”, diz o despacho.

Entre os réus está Edison Brittes, assassino confesso do atleta, que vai responder por por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor. Além dele, os três jovens que estavam no carro onde Daniel foi conduzido até a morte, Eduardo da Silva, Ygor King e David Vollero, também responderão pelos mesmo crimes imputados ao Edison.

“Neste mote, verifica-se que a Autoridade Policial procedeu à minuciosa investigação criminal dos fatos e dos ora investigados, com relação ao suposto crime que vitimou Daniel Correia de Freitas e aos demais crimes que surgiram no desdobramento da situação”, afirmou a juíza.

CRISTIANA RÉ POR HOMICÍDIO

A esposa de Edison, Cristina Brittes, é ré por homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor. Para o promotor do MP, João Milton Salles, o envolvimento de Cristiana no homicídio foi ter “orientado os autores a prosseguirem com o justiçamento do jogador” fora da casa.

A defesa contesta essa imputação criminal. “Ela não teve participação nenhuma, estava alcoolizada, dormindo, foi vítima e não teve o que fazer para impedir a tragédia. Acusá-la de homicídio É uma aventura jurídica que não encontra cabimento em nenhum fato que foi revelado no inquérito policial. É uma interpretação que fez o promotor tão somente para segurar a Cristiana presa, imputando-lhe uma participação maior no crime, porque ele tem medo que Cristiana vem a público e conte os momentos de terror que ela viveu”, disse Claudio Dalledone Júnior em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (28).

A juíza seguiu o entendimento do Ministério Público do Paraná e acatou a denúncia. “Vale ressaltar, neste ponto, que os indícios de participação da indiciada CRISTIANA na prática do homicídio repousam nos depoimentos das testemunhas sigilosas, as quais relatam que no momento em que a vítima estava sendo espancada pelos indiciados EDISON, EDUARDO, DAVID e YGOR, não se viu a indiciada CRISTIANA tomando alguma atitude com a fim de evitar a morte da vítima, ao passo que ainda a indiciada dizia: ‘não deixa matar ele aqui dentro de casa’ e ‘não deixa seu pai fazer isso dentro da minha casa, você sabe como ele é'”, diz o documento assinado pela magistrada.

CONFIRA OS RÉUS E OS CRIMES:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

Dos sete réus, apenas Evelyn não está presa.  O promotor do MP-PR disse que não pretende pedir a prisão dela.

O CASO

Daniel foi encontrado morto na Colônia Mergulhão, área rural de São José dos Pinhais, no dia 27 de outubro. O ex-jogador foi degolado e teve o pênis cortado e pendurado em uma árvore.

O crime ocorreu após o aniversário de 18 anos da filha do casal, Cristiana e Edison, Allana Brittes. A festa começou em uma balada de Curitiba, no dia 26 de outubro, e seguiu para casa de Allana, onde começaram as agressões ao ex-jogador após ele ser flagrado na cama do casal. Edison afirma que ele estava no quarto tentando estuprar Cristiana e que isso teria motivado o crime.

O QUE DIZEM AS DEFESAS

Segundo o advogado Claudio Dalledone Junior, que representa a família Brittes, a denúncia deixa claro que um ato criminoso de Daniel originou seu assassinato. “Quem precipitou essa tragédia foi o Daniel. Precipitou cometendo crimes contra uma mulher vulnerável na cama. Ele é responsável pela construção de um criminoso e pela desgraça de uma família. O ato criminoso dele gerou essa tragédia”.

Dalledone chegou a dizer que, por falar em justiçamento, a denúncia é a melhor peça de defesa da família Brittes. “Quando o promotor diz que houve um ato de justiçamento, obrigatoriamente é reconhecer que houve um ato injusto do outro lato. Os atos de justiçamento não ocorrem sem que tenha uma carga emocional excessiva entre aqueles que participam do justiçamento”.

O advogado Edson Stadler, que defende Eduardo da Silva, afirmou após a apresentação da denúncia que o inquérito policial não apresentou provas suficientes. “O inquérito não enfrentou todas as obscuridades onde poderia ter esgotado todos os meios para esclarecer as condições reais do caso. Nós temos informações divergentes. O próprio inquérito busca duas coisas essenciais, a autoria e materialidade, tem que buscar esclarecer o nexo causal, como é que os fatos se deram e o grau de participação de cada um”, alegou.

“Nós não tivemos reconstituição semelhante aos demais participes. O meu cliente não foi incitado. É uma falha no meu entendimento de onde poderia se buscar esclarecimento. É fácil você listar esse ou aquele quando você tinha instrumentos para afirmar que esse ou aquele participaram ou não”, disse Stadler.

A defesa de Evellyn informou, por meio de nota também nesta terça-feira (27), que manifesta “sua extrema surpresa quanto à denúncia ofertada, uma vez que a Evellyn buscou a todo momento auxiliar as autoridades na busca da verdade, o que restará comprovado em futura instrução processual”.

A reportagem tenta contato com o advogado Robson Domakoski, que defende Ygor e David.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.