Justiça realiza 1ª audiência do processo que apura explosão de apartamento em Curitiba

Angelo Sfair

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A Justiça do Paraná realiza nesta quarta-feira (05) a primeira audiência da ação relacionada à explosão do apartamento do bairro Água Verde, em Curitiba. O incidente matou uma criança de 11 anos e deixou três pessoas feridas em junho do ano passado. Oito testemunhas de acusação e cinco de defesa são ouvidas hoje (05).

Conforme o rito determinado pelo Código de Processo Penal, depois de ouvir as testemunhas, a Justiça deve interrogar os réus. Ao final da instrução penal, o juiz decidirá se os acusados devem ou não ir à júri popular.

São réus neste processo o casal dono da Impeseg, José Roberto Porto Correa e Bruna Porto Correa, e o técnico Caio Santos. A empresa havia sido contratada para fazer a impermeabilização de um sofá. Os produtos químicos foram apontados pela perícia como a causa da explosão.

A acusação é de homicídio qualificado. Na denúncia oferecida pelo Ministério Público, as qualificadoras contra o casal foram por motivo torpe e uso de meio explosivo. No caso do técnico Caio Santos, a qualificadora é apenas uso de meio explosivo.

A EXPLOSÃO NO APARTAMENTO DE CURITIBA

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Justiça começou a ouvir as testemunhas do processo nesta quarta-feira (05). (Foto: Colaboração)

A explosão aconteceu no Água Verde, por volta das 9h40 do dia 29 de junho. O apartamento fica da Rua Dom Pedro I, no bairro Água Verde, em Curitiba. A força do impacto derrubou as paredes do sexto andar. Estilhaços de vidro e concreto se espalharam pela região. Moradores da região e pessoas que trabalham no entorno compararam o barulho à queda de um avião.

No momento da explosão, quatro pessoas estavam dentro do apartamento. Um menino de 11 anos dormia em um dos quartos e morreu após ser arremessado do sexto andar. Mateus Lamb passava o final de semana na casa da irmã e do cunhado. Raquel Lamb, de 23 anos, e Gabriel Araújo, de 27, passaram mais de um mês internados. No caso de Raquel, as queimaduras atingiram 80% da superfície corporal, enquanto Gabriel teve 30% do corpo queimado.

A quarta vítima foi o técnico de impermeabilização Caio Santos, acusado por homicídio com dolo eventual junto aos donos da Impeseg, José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa. Ele também passou semanas internados na UTI do Hospital Evangélico-Mackenzie até se recuperar das queimaduras.

INVESTIGAÇÕES RESPONSABILIZAM DONOS; JUSTIÇA OUVE TESTEMUNHAS

laudo pericial produzido pela Deam (Delegacia de Explosivos, Armas de Munições) relatou com detalhes as condições em que o apartamento foi encontrado no dia da explosão. A análise da perícia foi juntada ao conjunto probatório levantado no curso das investigações.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a explosão foi causada pelo produto químico usado pelo técnico para impermeabilizar o sofá da família. Raquel Lamb, dona do apartamento, disse à polícia que acendeu uma das chamas do fogão porque não foi orientada sobre os riscos. Funcionários da empresa Impeseg – responsável pelo serviço – disseram que não sabiam que o produto usado era inflamável.

Além disso, quatro funcionários da empresa de impermeabilização envolvida na explosão afirmaram, em depoimento, que os produtos inflamáveis eram armazenados em frascos de shampoos. O dono da Impeseg, José Roberto Porto Correa, confessou que manipulava os químicos sem autorização para chegar até a fórmula final aplicada nos sofás e estofados dos clientes.

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