Principal delator promete dar detalhes do esquema de corrupção na Receita Estadual

Jordana Martinez


BandNewsCuritiba

Cento e dez réus da 4ª fase da Operação Publicano – que investiga um esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná, vão ser interrogados pela Justiça de Londrina, norte do estado. Os acusados da ação penal começaram a depor nesta segunda-feira (03).

O principal delator do esquema, o ex-auditor Luiz Antônio de Souza, foi o primeiro réu a ser interrogado. Segundo informações do Tribunal de Justiça, o delator foi questionado sobre o acordo de delação premiada-restabelecido com o Ministério Público, no mês passado. O acordo de colaboração foi retomado e homologado pelo juiz responsável pelas ações da Publicano, Juliano Nanuncio. De acordo com o despacho, Luiz Antônio de Souza colaborou com o avanço nas investigações. Porém, segundo o MP, desta vez, a delação vai ter outras condições: o ex-auditor deve pagar cerca de três milhões de reais, além de dar todos os detalhes possíveis dos casos de corrupção na Receita Estadual – mencionados em depoimentos anteriores.

Em 2015, após o primeiro acordo com o Ministério Público, o ex-auditor deixaria o presídio e passaria a responder pelos crimes em prisão domiciliar. No entanto, em junho de 2016 a negociação foi rompida. De acordo com o Ministério Público, na época, Luiz de Souza pediu dinheiro a empresários para não denunciá-los. Dos cento e dez acusados na quarta fase da Operação Publicano, cinquenta são auditores da Receita Estadual, além de contadores, empresários e advogados.

Quinhentas testemunhas que foram indicadas pelos réus, também vão ser ouvidas. O ex-auditor, Luiz Antônio Souza, é o único acusado que continua preso. No processo da 1ª fase da publicano, o delator chegou a ser condenado a 49 anos de prisão.

A Operação Publicano foi deflagrada há dois anos – março de 2015. Até o momento, quarenta e duas pessoas foram condenadas. Durante a Operação, diversos depoimentos e acordos de delação premiada foram realizados. Segundo as investigações – que começaram em 2014 – o esquema era formado por auditores fiscais que não faziam a revisão corretamente, e por isso, não autuavam os sonegadores.

Após a fiscalização, a organização criminosa pedia dinheiro em troca da redução do valor dos impostos. De acordo com a denúncia do Ministério Público, os casos de corrupção aconteceram em diversos setores, entre 2008 e 2014. Segundo a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), o esquema movimentou pelo menos dois bilhões de reais.

A Secretaria da Fazenda do Paraná, afirma, por meio de nota, que as denúncias, assim como a conduta dos auditores, estão sendo apuradas pela corregedoria da receita estadual. De acordo com a Secretaria, o esquema movimentou pelo menos dois bilhões de reais. Os interrogatórios no Fórum de Londrina devem ir até o dia 12 de maio.

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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