Justiça desmembra processo envolvendo morte de Renata Muggiati

Francielly Azevedo


A Justiça desmembrou do processo que investiga a morte da fisiculturista Renata Muggiati a investigação que apura a conduta de dois ex-peritos do Instituto Médico-Legal (IML). Ambos são réus por acusação de falsa perícia. O crime ocorreu no ano de 2015, em Curitiba.

A decisão, da juíza Taís de Paula Scheer, do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Curitiba, é da última quinta-feira (28) e atende a um pedido do Ministério Público do Paraná. “O desmembramento dos autos é necessário, pois objetiva assegurar a razoável duração do processo e a efetividade da prestação jurisdicional. Além disso, não se evidencia prejuízos concretos a defesa do réu Raphael Suss Marques com o desmembramento dos feitos”, diz o despacho.

O médico Raphael Suss Marques é acusado de ter assassinado a namorada. Ele está preso preventivamente desde fevereiro.

Conforme a denúncia, os peritos legistas Francisco Moraes Silva e Daniel Colman teriam emitido um exame de necropsia com uma conclusão falsa que beneficiaria indevidamente Suss Marques. Os dois, segundo o MP, se utilizaram das funções para encobrir a real causa da morte de Renata.

Daniel Colman foi demitido do Instituto Médico-Legal (IML) em junho do ano passado após um processo administrativo interno. Já Francisco Moraes Silva é perito aposentado desde 2003. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), eles inseriram o laudo falso no sistema de informações do IML usando um computador de Colman em uma rede de internet sem fio chamada “Francisco WIFI”.

O CASO

Renata morreu na noite de 12 de setembro de 2015. A suspeita é de que ela tenha sido asfixiada e atirada da janela do 31º andar pelo namorado. Fotos e mensagens enviadas por celular, que constam no processo, reforçam a tese de que ela era vítima constante de agressões.

Foram realizados, ao todo, três exames no corpo de Renata – dois deles apontaram que ela teria sido asfixiada antes de cair pela janela. O último exame, feito após a exumação do corpo, concluiu que a atleta foi morta antes da queda. O processo corre em segredo de Justiça.

Raphael Suss Marques foi preso em setembro e, depois, novamente em janeiro. Acabou solto após seis dias, por meio de um habeas corpus. Ele respondia o processo em liberdade. Porém, no início do ano, Suss Marques desrespeitou regras impostas pela Justiça e frequentou uma casa de Pôker, fora do limite previsto no acordo. O fato culminou em uma nova prisão no último mês de fevereiro. Ele nega o crime e alega que Renata se suicidou.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.