Justiça mantém prisão de dono da Explopar após explosão de caminhão de dinamites

Mariana Ohde


A Justiça pediu a prisão preventiva do proprietário da empresa Explopar, Milton Lino da Silva. Milton foi detido no sábado (8), após a explosão de um caminhão de dinamites no barracão da empresa em Bocaiúva do Sul.

O advogado Claudio Dalledone Junior, que defende o empresário, afirmou que vai recorrer da decisão que manteve a prisão cautelar. Segundo comunicado enviado pelo advogado, Milton não cometeu nenhum crime e continuará buscando formas de reparar os danos sofridos pelas vítimas dos efeitos da explosão. Com a força do deslocamento de ar, 160 casas foram afetadas e 24 destruídas na região e 18 pessoas buscaram atendimento médico com ferimentos leves, segundo a Defesa Civil. Pelo menos nove pessoas estão desabrigadas e 80 desalojadas.

Busca por reparação

O coordenador da Defesa Civil em Bocaiúva do Sul, André Rego, afirma que as famílias ainda estão preocupadas em reorganizar as moradias para depois acionar a Justiça em busca de reparação.

“A princípio, a gente não está pensando nessa parte judicial, a gente está pensando na parte de atendimento. Mas o pessoal da assistência jurídica do município estão pensando em conversar com o promotor para saber como essas famílias vão ser indenizadas”, afirma.

“Foi feita a detonação do resto do material que estava lá. A gente avisou a população para não entrarem em pânico, que a situação está controlada e não há mais risco nenhum. Estamos agora no trabalho de reconstrução, para auxiliar as famílias na reconstrução de suas moradias. Estamos dando apoio para o pessoal que teve a vida afetada”, conta.

A polícia deve solicitar à Justiça o bloqueio dos bens do proprietário, para garantir o pagamento de indenização às famílias afetadas e para as multas ambientais.

Área já é segura 

Uma equipe do Exército participou nesta segunda-feira (10) à tarde de um trabalho para incinerar parte do material que sobrou. Foram incinerados materiais utilizados para detonar as dinamites.

O material explosivo restante, que seriam 60 toneladas de dinamites, serão recondicionados pela empresa responsável.

De acordo com o Exército, a empresa é registrada e está autorizada a armazenar até 200 toneladas de explosivos.

casas destruidas bocaiuva do sul
Foto: CBN Curitiba

Polícia investiga ação criminosa

Segundo o delegado Mário Sérgio Bradock, responsável pela condução do caso, duas linhas de investigação são consideradas. A principal suspeita é a de que a ação tenha sido criminosa: acredita-se que ela possa ter sido motivada por uma disputa entre o dono e o ex-sócio da empresa de explosivos (Explopar) ou, ainda, que ladrões tenham detonado as dinamites após um roubo.

“Segundo informações que a gente tem, estava havendo uma disputa entre os sócios. Eram dois sócios na empresa. E há dez dias atrás, esse que está preso teria comprado a outra parte do outro sócio. É muito cedo para dizer ainda. Também pode ser a ação de ladrões que entraram pelos fundos da fábrica, levaram uma quantidade x e resolveram detonar o resto”, explica.

Roubo de explosivos

Há pouco mais de 20 dias, 105 kg de dinamite foram furtados da empresa. Segundo a Polícia Civil, o Exército – órgão responsável pela fiscalização, deu um prazo para que o dono da fábrica fizesse adequações no local, devido a vulnerabilidade das instalações. No entanto, ele ainda não havia cumprido a exigência, o que teria facilitado a entrada de desconhecidos.

Resposta da empresa

Por meio de nota, a Explopar afirma que tem certeza de que a explosão foi resultado de uma ação criminosa. A nota afirma que a empresa está estabelecida há mais de 22 anos no município e que sempre cumpriu com as obrigações exigidas pelas autoridades competentes. O comunicado afirma que a empresa tem todos os alvarás e licenças necessárias para o funcionamento.

Confira a nota na íntegra:

A empresa Explopar está estabelecida há mais de 22 anos em Bocaiuva do Sul e sempre cumpriu rigorosamente com todas as obrigações exigidas pelas autoridades competentes.

A Explopar possui todos os alvarás e licenças necessárias para o regular funcionamento e tem absoluta convicção de que a explosão ocorrida na tarde de ontem foi provocada por ação criminosa praticada por terceiro.

A empresa confia plenamente nas autoridades constituídas e acredita que em pouco tempo este crime será desvelado.

A Explopar se solidariza com aqueles que também foram vítimas e garante que se esforçará ao máximo para minimizar os danos causados em decorrência da explosão.

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Repórter no Paraná Portal
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