Justiça marca primeira audiência com réus do caso Daniel

Fernando Garcel


A audiência de instrução do julgamento de Edison, Cristiana e Allana Brittes, além dos outros suspeitos de terem participado do assassinato do jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, em outubro do ano passado, já tem uma data definida. As audiências vão ocorrer nos dias 18, 19 e 20 de fevereiro. 
A juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções Penais de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, agendou as oitivas, inicialmente, para o dia 27 de fevereiro, podendo se estender até 1º de março. Devido a um pedido feito pela defesa e acato pela Justiça, as oitivas foram reagendadas.

“[…] Designo para o dia 27 de fevereiro de 2019, às 13h, bem como os dias subsequentes (28 de fevereiro e 01 de março de 2019), se necessário, para a realização da audiência de instrução, oportunidade em que serão inquiridas as testemunhas arroladas na denúncia, as testemunhas arroladas pelas Defesas e, ainda, realizados os interrogatórios dos réus”, diz o despacho publicado na tarde desta quarta-feira.

A data definida pela juíza coincidia com datas de outros casos de tramitação prioritária do advogado da família.

“A defesa técnica de Edson Brites Junior, Allana Brites e Cristiana Rodrigues Brites, informa que encaminhou à justiça de São José dos Pinhais um pedido de resignação das datas de audiência de instrução e julgamento do processo que investiga a morte do jogador Daniel. A justiça acatou o pdido e as audiências tem nova data […]”, diz a nota divulgada pelo advogado Claudio Dalledone Junior.

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No despacho, a magistrada também indeferiu os pedidos da defesa sobre a renovação de prazo para apresentação de Resposta à Acusação, por entender que os advogados tiveram acesso a todos os documentos necessários para exercer o contraditório.

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Cristiana e Edison Brittes │ Foto: Reprodução / Facebook

Os réus foram denunciados por crimes como homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, coação no curso do processo e corrupção de adolescente. Veja:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O caso

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro, em uma casa noturna, no bairro Batel, em Curitiba. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata próxima à uma estrada rural, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Antes da confissão, Edison se reuniu com testemunhas em um shopping da cidade para supostamente combinar uma versão dos fatos. Ele se entregou após o depoimento de uma testemunha que o apontava como autor do crime.

Edison também foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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