Justiça nega suspensão de processo que investiga morte de Tatiane Spitzner

A  juíza Paola Gonçalves da 2ª Vara de Justiça Federal de Guarapuava, na região dos Campos Gerais, negou nesta sexta-fei..

Andreza Rossini - 24 de agosto de 2018, 18:39

Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane
Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

A  juíza Paola Gonçalves da 2ª Vara de Justiça Federal de Guarapuava, na região dos Campos Gerais, negou nesta sexta-feira (24) o pedido de suspensão do processo que investiga a morte da advogada Tatiane Spitzner, feita pelos advogados de Felipe Manvailer, acusado do crime.

A justiça deu o prazo de dez dias para o réu se defender das acusações apresentadas pelo Ministério Público.

Tatiane caiu do quarto andar do prédio onde morava, no interior do Estado. Momentos antes, câmeras de segurança flagraram o marido de Tatiane, Luis Felipe Mainvaller agredindo a esposa e levando novamente o corpo de Tatiane até o apartamento.

"Destrinchemos o raciocínio do Ministério Público para tentar compreender exatamente a acusação: se as duas supostas ações levaram a consumação da morte, isto significa que Tatiane caiu da sacada com vida. Portanto, se o Ministério Público atribui a queda de Tatiane como uma (das) causa(s) de sua morte, logo, a conclusão óbvia a que se pode chegar é que ela caiu com vida. Afinal de contas, ninguém morre duas vezes", alega a defesa de Mainvaller no pedido de suspensão.

A juíza respondeu afirmando que o réu precisa responder as acusações independente da forma da morte de Tatiane, já que o crime poderia ter ocorrido tanto na queda quanto na asfixia. "Ocorre que no caso debatido, não se vislumbra imputação fática alternativa. Ao revés, a denúncia imputa ao denunciado duas condutas que teriam, em tese, sido praticadas por este, sem que uma exclua a outra. A não especificação da causa mortis por ausência de laudo de necropsia não afasta a materialidade do delito, a qual está amparada por outros elementos indiciários que demostram aptidão para o oferecimento da denúncia", diz o documento.

 

O caso

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi encontrado após se envolver em um acidente em uma rodovia a cerca de 320 km de Guarapuava. Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a fronteira com o Paraguai e Argentina.

No último dia (31), Luís Felipe foi indiciado pela Polícia Civil pela morte da esposa por homicídio qualificado, motivo torpe (que ofende a ética social), uso de meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima e condição do sexo feminino, o chamado feminicídio.

Luis Felipe nega as acusações e diz que a esposa se jogou da sacada. Segundo sua defesa, o casal tinha um relacionamento “feliz”, que estava em seu quinto ano.

Em nota, a defesa afirma que mantém sua posição de permanecer no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima (exame de necropsia), no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado.

A defesa pede que Manvailer seja transferido da Penitenciária Industrial de Guarapuava para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Os advogados alegam que o acusado teria tentado suicídio e estaria precisando de acompanhamento psiquiátrico.