Justiça tranca inquérito do caso Praça da Espanha

Redação



A Justiça optou por trancar o inquérito policial do caso da “Praça da Espanha” nesta terça-feira (13). As investigações apuravam o envolvimento de de três soldados na morte do jornalista Andrei Francisquini, em maio deste ano, na Praça da Espanha, em Curitiba

A decisão é do juiz Sergio Bernardinetti, da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual. O magistrado determinou que o caso seja apurado apenas pela Polícia Militar (PM). O inquérito da Polícia Civil sobre o caso também teve nulidade integral decretada. Segundo a decisão, há “expressa vedação constitucional de investigação de crimes militares pela Polícia Civil”.

“Em vista de cometimento de suposto crime de homicídio por Policiais Militares, deve ser instaurado Inquérito Policial Militar pela autoridade militar competente, que será, então, remetido à justiça comum, para julgamento pelo Tribunal do Júri”.

De acordo com os advogados de defesa dos policiais militares envolvidos na ocorrência, Claudio Dalledone Junior e Eduardo Milleo, a decisão segue o procedimento padrão de investigação nesses casos.

Andrei teria sido morto após ser abordado por policiais militares, desobedecer a ordem policial e fugir com seu carro. Uma pistola foi encontrada com ele, porém, durante as investigações, foi apurado que nenhum disparo foi feito com ela. Um laudo realizado mais tarde não encontrou as digitais da vítima na arma.

O Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso foi concluído em julho. As investigações apontaram que existem indícios de crime, mas sem transgressões disciplinares. O documento ressalta que os policiais dispararam porque as vidas de outras pessoas estavam em risco.

A família de Andrei chegou a contestar a versão apresentada pelos policiais, na época. Em postagem nas redes sociais, o pai dele, Benedito Francisquini, disse que o filho tinha “aversão a armas de fogo ou qualquer tipo de violência”.

“Fica difícil acreditar que meu menino sacasse de uma pistola e reagisse contra vários policiais. Sinceramente, antevejo mais um desses casos sem solução. As câmeras nunca funcionam, as perícias nunca terminam e tudo acaba no esquecimento, num país acostumado com a impunidade”, escreveu.

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