Laudo aponta ranhuras semelhantes às de esmalte na sacada do prédio de Tatiane

Francielly Azevedo


Um laudo da Polícia Científica do Paraná, anexado ao processo na última quinta-feira (30), apontou a presença de pequenas ranhuras, na borda da sacada do apartamento, semelhantes ao esmalte vermelho que Tatiane Spitzner usava no dia em que caiu do 4º andar do prédio em que morava, em Guarapuava, na região central do Paraná. O marido dela, o professor Luís Felipe Manvailler, é o principal suspeito pelo homicídio.

“Na borda superior da sacada, região externa, havia a presença de pequenas ranhuras de cor vermelha, semelhantes àquelas de esmalte de unha e compatíveis com a cor de esmalte do cadáver,
além de outras marcas de atrito por fricção e/ou arrastamento, na localização informada como sendo o local da queda da vítima (tanto na borda superior, quanto na face externa do vidro). Estas
ranhuras são compatíveis com a passagem da parte superior da unha sobre a borda”, diz o documento.

Os peritos sugerem duas possibilidades com base nos testes: desequilíbrio involuntário (queda acidental) ou abandono de corpo inerte. “A posição final da queda – 3,78 m de distância do alinhamento predial e local da precipitação, conforme já calculado, descrito e embasado no Tópico 5. PRECIPITAÇÃO DE ALTURA, refere-se a i) desequilíbrio involuntário (queda acidental) ou ii)) ou abandono de corpo inerte, sem qualquer tipo de impulso, contradizendo mais uma vez o depoente que declarou”, aponta a perícia.

NOTA DA DEFESA

Em nota, “a defesa técnica de Luís Felipe Manvailer informa que não irá se manifestar sobre o laudo anexado ao processo que investiga a morte de Tatiane Spitzner. A defesa reforça que não teve acesso aos trabalhos realizados na data da perícia em questão. A defesa aguarda a realização da reprodução simulada dos fatos (reconstituição) a presença de Luís Felipe Manvailer e seus advogados.

A defesa reforça ainda que aguarda a entrega dos laudos de necropsia e exame anatomopatológico para que se possa materialmente entender o que de fato ocorreu naquela madrugada”.

LAUDO COMPROVA FEMINICÍDIO, DIZ MP

O Ministério Público do Paraná se pronunciou, nesta sexta-feira (31), sobre o laudo. De acordo com o MP, o laudo é uma prova “de que o réu Luis Felipe Santos Manvailer jogou a vítima Tatiane Spitzner da sacada do apartamento, cometendo o feminicídio”.

O CASO

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvalier no último dia 22 de julho. Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

“Ainda, de acordo com o Laudo Pericial de Local de Morte, de fls. 239-249, o acusado, durante a execução do crime de homicídio, produziu lesões características de esganadura na vítima, quais sejam, ‘estigmas ungueais nas regiões laterais do pescoço, características de esganadura’, praticando o delito mediante asfixia. O denunciado, ao matar a vítima, agiu mediante recurso que dificultou a sua defesa, em razão da sua superioridade física em face da ofendida e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação por parte desta. Ademais, o denunciado praticou o presente crime contra mulher por razões da condição de sexo feminino, já que Tatiane Spitzner era sua esposa, caracterizando violência doméstica e familiar”, diz a denúncia.

Sobre o cárcere privado, a denúncia narra que Luis Felipe impediu, mediante violência, que Tatiane se afastasse, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima, conforme as filmagens do circuito interno de câmeras do edifício.

A denúncia sobre o crime de fraude processual ocorre porque o acusado tentou adulterar a cena do crime. As imagens do circuito interno do edifício mostram que Luis Felipe Manvailer recolheu o corpo da vítima após a queda, levou até o apartamento e depois limpou o chão e elevador que ficaram sujos de sangue.

“[…] Ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima TATIANE SPITZNER do local da queda e limpeza de vestígios de sangue”, diz a denúncia

SUSPEITO PRESO

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi encontrado após se envolver em um acidente em uma rodovia a cerca de 320 km de Guarapuava. Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a fronteira com o Paraguai e Argentina. Ele é acusado pelos crimes de homicídio com quatro qualificadoras (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio), cárcere privado e fraude processual.

A perícia indicou que Tatiane teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.