Laudo comprova feminicídio em morte de Tatiane Spitzner, diz MP

Andreza Rossini

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O Ministério Público do Paraná se pronunciou, nesta sexta-feira (31), sobre o laudo técnico que aponta que a advogada de Guarapuava, Tatiane Spitzner, não teve qualquer tipo de impulso antes de cair da sacada do 4º andar do prédio onde morava.

De acordo com o MP, o laudo é uma prova “de que o réu Luis Felipe Santos Manvailer jogou a vítima Tatiane Spitzner da sacada do apartamento, cometendo o feminicídio”.

Os procuradores ainda afirmaram que a versão apresentada pela defesa do acusado, de que Tatiane se jogou, não condiz com a realidade e foi descartada do laudo policial.

Por meio de nota, a defesa de Luiz Felipe afirmou que não se manifestou sobre o caso já que não teve acesso aos trabalhos realizados na data da perícia citada.

Veja a nota da defesa na íntegra

A defesa técnica de Luís Felipe Manvailer informa que não irá se manifestar sobre o laudo anexado ao processo que investiga a morte de Tatiane Spitzner. A defesa reforça que não teve acesso aos trabalhos realizados na data da perícia em questão. A defesa aguarda a realização da reprodução simulada dos fatos (reconstituição) a presença de Luís Felipe Manvailer e seus advogados.

A defesa reforça ainda que aguarda a entrega dos laudos de necropsia e exame anatomopatológico para que se possa materialmente entender o que de fato ocorreu naquela madrugada.

O caso

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi encontrado após se envolver em um acidente em uma rodovia a cerca de 320 km de Guarapuava. Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a fronteira com o Paraguai e Argentina.

No último dia (31), Luís Felipe foi indiciado pela Polícia Civil pela morte da esposa por homicídio qualificado, motivo torpe (que ofende a ética social), uso de meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima e condição do sexo feminino, o chamado feminicídio.

Luis Felipe nega as acusações e diz que a esposa se jogou da sacada. Segundo sua defesa, o casal tinha um relacionamento “feliz”, que estava em seu quinto ano.

Em nota, a defesa afirma que mantém sua posição de permanecer no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima (exame de necropsia), no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado.

A defesa pede que Manvailer seja transferido da Penitenciária Industrial de Guarapuava para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Os advogados alegam que o acusado teria tentado suicídio e estaria precisando de acompanhamento psiquiátrico.

Veja a nota do MP na íntegra

Em relação ao laudo pericial de reprodução simulada da queda de nível elaborado pelo Instituto de Criminalística, o Ministério Público do Paraná afirma que tal prova técnica apenas confirma o contido na denúncia oferecida, de que o réu Luis Felipe Santos Manvailer jogou a vítima Tatiane Spitzner da sacada do apartamento, cometendo o feminicídio, tal como descrito na peça acusatória. A perícia comprova que a versão apresentada pelo acusado, de que a vítima se jogou, não condiz com a realidade dos fatos, sendo tal hipótese descartada pelo laudo pericial.

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