Laudo particular aponta que motorista réu por atropelar e matar estudante no CIC estava acima da velocidade

Leonardo Gomes - BandNews FM Curitiba

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O motorista réu por atropelar e matar uma estudante, durante um racha, no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), em março, estava dirigindo acima da velocidade permitida no trecho, e por isso não conseguiu evitar o acidente, de acordo com laudo particular produzido à pedido da defesa da família da vítima.

A batida aconteceu na Rua Pedro Viriato Parigot de Souza e Caroline Beatriz Olímpio, que tinha 19 anos, morreu no local do acidente, em frente a Universidade Positivo. A defesa da jovem anexou o novo laudo às investigações que através de imagens de câmeras de segurança produziu animações em 3D.

De acordo com a perícia, o carro dirigido por Nicholas Henrique Castro seguia a 89 km/h. O outro carro, de Fernando Rocha Fabiani, que atropelou a estudante, seguia a 139 km/h – velocidade maior da registrada pelo laudo oficial do Instituto de Criminalística do Paraná que apontou que o veículo estava a 114,52 km/h.

O perito responsável pelo laudo particular, Roberto Meza Niela, explica que a diferença entre os laudos ocorre por foram feitas análises a partir de um ponto segundos antes da batida.

“A gente diminuiu a margem de erro nos cálculos. O trecho que a gente considerou era um trecho prévio ao atropelamento, isso quer dizer que quando ele estava desenvolvendo aquela velocidade de 139km/h nesse exato momento, 35 metros antes, ele visualizou a vítima atravessando a rua e desacelerou. Por isso, há uma diferença entre a velocidade determinada pela perícia oficial e a nossa. O outro veículo a perícia oficial teve a velocidade de 88km/h, que também corroboramos e era verdadeira”, esclarece.

Segundo o advogado Jeffrey Chiquini, que defende a família de Caroline, o laudo prova que o motorista que atropelou Caroline viu a estudante atravessando a rua e não conseguiu parar porque estava em alta velocidade.

“Ele esteve a 139km/h, 30 metros antes do atropelamento, ou seja: o laudo concluiu que a velocidade empregada pelo veículo foi tamanha que ele sequer teve reação para evitar o resultado. O laudo também conclui que ambos os acusados tiveram ampla e total visibilidade da travessia da vítima, o que demonstra e comprova mais uma vez que eles tiveram previsão do resultado e foram indiferentes quanto à sua ocorrência. Inclusive, o novo laudo e o laudo oficial do estado demonstraram que 200 metros antes do ponto exato do atropelamento havia uma placa sinalizando que ali era um local de travessia de pedestres”, afirma.

A advogada Thaise Mattar Assad, que defende o motorista Fernando Rocha Fabiani, afirmou a reportagem da BandNews FM que o laudo particular não deve ser considerado válido para o processo.

“A magistratura brasileira costuma se guiar por laudos oficiais. Nós já temos um laudo oficial no processo, que foi requisitado pelo próprio delegado de polícia e realizado pela polícia científica do estado do Paraná. Esse laudo diz coisas distintas do que é trazido pelo laudo do assistente de acusação. No momento nós vamos aguardar e falaremos sobre em um momento oportuno durante a instrução processual porque temos respeito ao procedimento processual penal e precisamos tratar o caso com muita prudência”, diz.

A defesa de Nicholas Henrique Castro disse que só vai se manifestar nos autos do processo.

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