Linha Preta promove caminhada por pontos ligados à história e à presença dos negros em Curitiba

Estelita Hass Carazzai - BandNews FM Curitiba


Um passeio que fala sobre a história e a presença dos negros em Curitiba acontece neste sábado (27), pela manhã, no centro da cidade. O roteiro Linha Preta caminha por 21 pontos históricos da capital paranaense, como as ruínas de São Francisco, a Praça Tiradentes e a Sociedade 13 de Maio. O objetivo é valorizar e dar visibilidade à contribuição negra na construção física e social de Curitiba.

Um dos pontos visitados, por exemplo, é o lugar onde ficava o pelourinho da cidade, ao lado da Catedral, próximo à Praça Tiradentes. Segundo a professora e doutora Megg Rayara de Oliveira, uma das colaboradoras do projeto, o espaço marcou um local de resistência contra o regime escravista em Curitiba.

“Para a gente, é importante que essas marcas não sejam apagadas para mostrar que também tivemos política de resistência contra o regime escravista aqui em Curitiba”, ressalta.

O projeto começou cerca de um ano atrás, e já levou dezenas de pessoas em caminhada por Curitiba.

Para Melissa Reihner, cofundadora do Centro Cultural Humaitá e uma das idealizadoras da Linha Preta, a comunidade negra sempre teve uma grande participação na história de Curitiba: o primeiro presidente da província do Paraná, por exemplo, era negro; a catedral foi construída por negros; o sistema de encanamento de Curitiba foi idealizado por engenheiros negros. Mas há poucos registros dessa história.

“A gente observa que o racismo, em outros lugares do Brasil, se manifesta como um tratamento pejorativo, discriminando e perseguindo essa população. Aqui no Paraná, o racismo tem a especificidade de não minimizar a população negra, mas de negar sua existência”, conta.

Segundo Reihner, o que poucas pessoas se dão conta é que os negros formavam grande parte da comunidade de Curitiba nos séculos 18 e 19.

“Tudo que ouvíamos falar antigamente era que havia escravos. E aí ponto final. O que tem por trás dessa palavra? Escravo é um objeto de compra e venda. Quando a gente vai ver, são pessoas. Africanos e africanas, que vinham para cá como mão de obra especializada, detinham conhecimentos técnicos. A cidade não tinha negros, mas a segunda igreja construída na cidade era dos negros e para os negros”, completa.

O passeio da Linha Preta começa às 9h30 da manhã, na Praça 19 de Dezembro, a Praça do Homem Nu. O trajeto é percorrido a pé, numa caminhada que dura cerca de duas horas. O roteiro custa R$ 20 por pessoa. Inscrições e mais informações estão no site:

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