Londrina pode ganhar base sismológica permanente para acompanhar tremores

Mariana Ohde


A Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização da Câmara de Vereadores de Londrina deve apresentar uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) propondo a criação e a destinação de recursos para a implantação de uma base sismológica permanente para acompanhar os tremores na cidade.

A reivindicação conta com apoio da Comissão de Tremores de Terra da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que participou na tarde desta quarta-feira de reunião pública na Câmara.

De acordo com o vereador Amauri Cardoso (PSDB), presidente da Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização, ficou evidente que esta é uma necessidade do município e serão feitos esforços para adequar o orçamento de 2017 no sentido de sanar esta carência.

O projeto da LDO encontra-se em tramitação na Câmara e pode receber emendas dos vereadores até o próximo dia 28, antes da votação em segundo turno. “Além de propor a criação da base em Londrina vamos acompanhar mais de perto os trabalhos da Defesa Civil e estudar a criação de mecanismos de fiscalização mais rigorosa sobre a qualidade das edificações”, informou Amauri Cardoso.

O professores da UEL que participaram da reunião pública apresentaram as conclusões de análises feitas para apurar as possíveis causas dos abalos registrados em Londrina e região no início deste ano, que causaram danos em centenas de imóveis.

De acordo com o professor José Paulo Pinese, do Departamento de Geociências e coordenador da Comissão de Tremores de Terra, as evidências são de que as causas dos registros sísmicos tenham sido naturais, resultantes de uma conjunção de fenômenos, entre eles a impermeabilização do solo urbano, o excesso de água no subsolo e a má qualidade das construções.

Segundo Pinese ainda não existe tecnologia capaz de prever com antecedência e segurança a ocorrência de tremores, mas a inclusão de Londrina na Rede Sismográfica Brasileira (BRASIS), da Universidade de São Paulo (USP), ajudaria muito nos estudos de previsibilidade. Cinco sismógrafos pertencentes à rede foram instalados temporariamente na cidade para monitorar os abalos e a ideia é que Londrina passe a contar permanentemente com pelo menos um destes aparelhos.

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Causas

O professor do Departamento de Engenharia Civil Carlos José Costa Branco explicou que as chuvas registradas desde o mês de outubro de 2015 e que ganharam força em janeiro deste ano podem ter provocado reações no solo da região.

“Por ser extremamente poroso, o excesso de água no solo desencadeia mudanças no estado interno que levam a recalques (rebaixamentos) bruscos. As obras mais leves são as que mais sofrem com este processo”, detalhou o engenheiro.

A falta de qualidade das construções – muitas delas feitas sem um responsável técnico – foi um dos problemas levantados pelo também professor de Engenharia Civil Gilberto Carbonari. Ele vistoriou dezenas de casas que apresentaram graves rachaduras com os tremores e constatou deficiência técnica na construção da maioria delas.

Já o professor Fernando Fernandes, do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da UEL, alertou para as alterações climáticas que exigem a criação de leis mais rígidas de proteção ao meio ambiente. “Até pouco tempo atrás muitos não acreditavam nos fenômenos de alterações climáticas. Hoje, estas alterações são uma realidade e algumas leis terão que ser pensadas para evitarmos consequências ainda maiores”, disse. Entre as medidas urgentes apontadas pelos pesquisadores da universidade está a contenção do processo de impermeabilização do solo urbano, que afeta diretamente a possibilidade de colapsos e tensões internas no subsolo.

(Com informações da Câmara Municipal de Londrina)

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Repórter no Paraná Portal
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