Mãe, avó e bisavô são indiciados por morte de bebê no PR

Fernando Garcel


A Polícia Civil concluiu hoje o inquérito sobre a morte do bebê Wyllan Rodrigues, de um ano e sete meses, encontrado na casa da avó em Porecatu, no Norte do Paraná, na última sexta-feira (17). A avó Michele Penteado Rodrigues, de 39 anos, e o bisavô Humberto Eustáquio Rodrigues, de 69, foram indiciados por crime de homicídio qualificado, por meio cruel e sem possibilidade de defesa da criança.

A mãe, uma adolescente de 17 anos, deve responder por ato infracional comparado a homicídio qualificado por ser menor de idade. Ela alega que não tinha boas relações a avó do bebê, teria sido expulsa de casa, deixado a criança sob os cuidados de Michele para procurar emprego em Mato Grosso e voltaria nesta semana para buscar o filho.

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Segundo a polícia, o bisavô da criança foi indiciado pois ficou comprovado que ele frequentava a casa constantemente e não tomou providências que resguardassem a saúde da criança. Na noite em que o bebê foi encontrado, Michele procurou Humberto que foi até o local e viu o corpo da criança. Ele teria, inclusive, acionado uma funerária que se recusou a remover o corpo e solicitou que o homem ligasse para socorristas, polícia e Instituto Médico-Legal (IML).

O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público sem o laudo do IML que ainda aguarda os exames complementares. Durante a semana, no entanto, o delegado responsável pelo caso, Elisandro Correia, adiantou que exames atestaram desidratação na bexiga do bebê. “A causa da morte ainda é indeterminada mas a polícia já sabe que foi em decorrência de omissão. De acordo com o médico legista, quando foi encontrado, o bebê já estava morto há pelo menos 24 horas. Ele fez observações e falou que bexiga da criança que estava desidratada”, afirmou.

A avó segue presa preventivamente no 3º Distrito Policial de Londrina. A defesa de Michele entrou com um pedido de liberdade provisória e a internação dela em uma clínica psiquiátrica com solicitação de exame de sanidade mental. Segundo o delegado, um perito será responsável por atestar ou não a saúde mental dela. “Tudo apresenta que possa existir uma perturbação, mas vai ter que passar por um perito que tem conhecimento na área para falar se ela tem inimputabilidade. Não cabe a nós”, explica Correia.

O CASO

O bebê de um ano e sete meses foi encontrado morto na última sexta-feira (17). Ele estava na casa da avó que acabou presa por homicídio qualificado na madrugada de sábado (18). A criança teria morrido por falta de assistência e negligência da responsável.

Segundo informações da polícia, o bebê não apresentava sinais de agressão mas tinha uma ferida causada por assaduras nas costas. Na casa, de classe média alta, a criança foi encontrada em um ambiente repleto de lixo, sujeira, bebidas, cigarros, restos de comida apodrecendo e larvas.

O laudo da causa morte ainda não foi concluído pelo Instituto Médico-Legal (IML), mas acredita-se que a criança tenha contraído uma virose – devido às condições de higiene do local – e não tenha recebido os cuidados necessários. No entanto, a polícia já adiantou que o médico legista encontrou sinais de desidratação na bexiga e que a criança estaria morta há mais de 24 horas quando foi encontrada.

Em entrevista à TV Tarobá, o delegado afirmou que as imagens da casa não traduzem o ambiente, uma vez que não transmitem o cheiro forte do local, e que acredita que o bebê estaria morto há algum tempo. “Pela nossa experiência, a gente deduz que esse corpo já estava no local de dois a quatro dias”, declarou. “Tudo leva a crer [no abandono], a própria avó declarou isso na oitiva, ela viu a criança pela última vez às 22 horas de quinta-feira e depois às 15 horas de sexta-feira. Ela afirmou que a criança ficou sem assistência por 18 horas. A criança veio a falecer por uma omissão da avó”, afirma.

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