Testemunha, mãe de Daniel comparece em audiência e dispara contra família Brittes: “monstros”

Vinicius Cordeiro e Francielly Azevedo

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Eliana Corrêa, mãe do ex-jogador Daniel, brutalmente assassinado em outubro do ano passado, compareceu ao primeiro dia de audiência de instrução do processo que investiga a morte do seu filho nesta segunda-feira (18), no Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Ela é uma das testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público (MP), mas ainda não se sabe qual horário ela será ouvida. Entretanto, ela disparou contra a família Brittes, acusada pelo crime.

Não é fácil reviver tudo isso outra vez e ter que estar de frente com esses monstros. Vou tentar ser o mais forte possível pela honra do meu filho para conseguir que a memória dele não fique como eles pintaram. Têm sido meses de tristeza. Eu recebo muitas mensagens de conforto de todo o Brasil, é um grande apoio. Mas meu filho não volta mais. Essas pessoas tem que pagar pelo que fizeram”, disse ela antes de entrar no Fórum.

RELEMBRE: Caso Daniel – o homicídio que chocou o país

Edison, Cristiana e Allana Brittes são os principais suspeitos do crime. O empresário está preso na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, enquanto sua mulher e sua filha estão na Penitenciária Feminina de Piraquara. A mãe do atleta revelou que precisou de uma preparação com ajuda médica para o encontro com os réus.

“O pai dela me ligou falando que ele era um querido e depois falou que não conhecia o Daniel. Quero ver a cara deles para ver como mentiram tanto.  Tentaram me enganar, me oferecer ajuda, mandar mensagem chorando. Eles são dissimulados, então quero ver se tem coragem de olhar na minha cara”, completou.

Audiência 

A sessão começou com atraso, depois das 14h, e teve Lucas Mineiro como a primeira testemunha ouvida. Morando em outro estado por ter sido jurado de morte em novembro do ano passado, ele  relatou como foram as agressões ao ex-jogador, sem incluir Cristiana e Allana Brites entre os agressores. “O depoimento superou positivamente as expectativas da defesa”, resumiu o advogado de defesa da família, Cláudio Dalledone Júnior.

No total, são 14 testemunhas de acusação. Depois, serão ouvidas 48 testemunhas da defesa da família Brittes. Em seguida, os réus serão interrogados, o que deve acontecer na quarta-feira (20). Com o fim das oitivas, as partes de acusação e defesa terão que fazer suas alegações finais. Somente após isso, a juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções Penais vai decidir se os sete réus envolvidos no crime vão para Júri Popular. 

Acusados

Dos suspeitos, apenas Evellyn Brisola Perusso, responde o processo em liberdade. Confira a lista dos suspeitos e dos crimes que respondem:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O assassinato de Daniel

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata próxima à uma estrada rural, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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